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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 176

Lorena não entendia por que a família dela tinha tanto medo de Isaac. No fim das contas, Isaac também era só um homem comum, não era nenhum psicopata que matava gente quando acordava de mau humor.

Era só porque ele tinha dinheiro.

Algumas pessoas eram exatamente assim: pisavam em quem estava embaixo e babavam ovo para quem estava em cima. Com os fracos, eram grosseiras, abusadas, passavam por cima sem piedade. Mas bastava aparecer alguém com dinheiro e poder, que elas encolhiam na mesma hora.

Se Michel, naquele dia, tivesse tido coragem de bater de frente com Isaac do mesmo jeito que tinha batido de frente com ela e com a avó, Lorena até olharia para ele com um pouco mais de respeito.

Por exemplo, o pai dela, o irmão e ainda por cima a mãe. Se os três resolvessem usar a força bruta, será que eles não conseguiriam derrubar Isaac no chão?

Só que, assim que eles viam Isaac, eles murchavam. Gente assim só tinha coragem de bater em quem não podia revidar.

Gente assim era o mais desprezível tipo de covarde.

A chegada de Isaac tinha virado completamente o jogo dentro daquela casa.

Ele abraçava Lorena com um braço e amparava Rita com o outro, protegendo as duas de um jeito bem claro:

— Eu agora vou levar a vovó e a minha esposa para cuidar dessa mão machucada. Vocês somem da minha frente.

Michel trocou um olhar com Bruna e deu uma risadinha:

— A gente não vai embora. A gente fica aqui em casa, tomando conta da casa.

Isaac também riu, sem humor:

— Você acha mesmo que eu vou aceitar isso?

O sorriso de Michel travou um pouco:

— Isaac, esta é a minha casa. Foi aqui que eu cresci.

O recado era claro: quem manda aqui sou eu, não você.

— Fica aqui do lado de fora, de olho. Se ele tentar arrombar o cadeado, você me liga na hora e chama a polícia.

Depois disso, ele ajudou Rita e Lorena a entrarem no carro e saiu dirigindo em direção ao hospital mais próximo.

— Vovó. — Isaac falou, com um peso na voz. No fundo, ele se sentia culpado, afinal Michel era filho de Rita. — Hoje eu realmente exagerei um pouco. Mas, com a mão da Lorena daquele jeito, eu não aguentei. Se a senhora quiser brigar comigo, eu aceito.

Rita abraçou a mão machucada de Lorena e os olhos dela encheram de lágrimas:

— A culpa é minha. Eu é que não tive capacidade de segurar esse filho. Eu é que não soube educar…

— Não é isso, vovó. Eu tenho certeza de que caráter vem lá de dentro, vem do que a pessoa é por dentro. No passado ele já não prestava, mas, por ser o pai biológico da Lorena, eu ainda engolia muita coisa. Hoje passou de qualquer limite. O jeito como ele é não tem nada a ver com a sua educação. Com a mesma criação, por que a tia da Lorena e a própria Lorena são pessoas tão boas? Então a senhora não precisa se culpar. O que sobrou para ele foi uma herança ruim, lá no fundo, no próprio DNA. — Isaac falou, firme.

Rita ouviu, mas aquelas palavras não confortaram o coração dela. No fim das contas, ela tinha se casado com o homem errado e pago o preço a vida inteira.

— Vovó, a senhora não fica triste. — Lorena se encostou nela. — Minha mão está bem, é coisa pequena.

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