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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 196

Isaac manteve o braço em volta de Lorena o tempo todo, até colocá-la dentro do carro. Depois, ele entrou no banco do motorista e, assim que sentou, o rosto dele escureceu de vez.

— Você não acha que passou dos limites na coragem, não?

A bronca veio em cima dela, sem aviso, como um balde virado.

Lorena ficou meio perdida, olhou para Isaac e não fazia ideia de onde, dessa vez, ela tinha esbarrado no ponto mais sensível dele.

Isaac pareceu perceber que o próprio tom tinha sido exagerado. Ele respirou fundo, se forçou a acalmar e perguntou, num tom mais contido:

— Como foi que você descobriu o que o Francisco andou fazendo?

Lorena, claro, não ia citar o namorado de Liliane.

— Eu conheço o meu próprio irmão, sei muito bem do que ele é capaz. — Ela respondeu. — Mas eu não sabia de tudo, eu só desconfiei. Eu vim aqui para blefar com ele.

Isaac soltou uma risada seca. A ponta dos dedos começou a bater no volante, o jeito dele de deixar claro que estava irritado de verdade.

— Eu sei que você está com raiva. — Lorena falou. — O meu irmão causou prejuízo para a sua empresa…

— Fica quieta. — Isaac cortou, ainda no auge da irritação.

— Você pode decidir a forma de compensação que quiser. — Lorena insistiu, terminando o raciocínio. — Deixa ele ir para a cadeia.

— Eu estou muito irritado agora. Não toca nesse assunto comigo. — Isaac disse, tentando controlar o próprio humor.

— Então… — Pelo lado racional, Lorena entendia perfeitamente que ele estivesse bravo. Cada coisa era uma coisa, e Francisco tinha passado de todos os limites. A empresa dele existia porque Isaac tinha bancado, e, no fim, Francisco tinha virado laranja para desviar dinheiro. Qualquer um ficaria furioso. Mas só sentir raiva não resolvia. — Mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter que resolver isso. Você fala o que quer fazer, eu aceito.

E, no caso dela, o quanto antes melhor. Ela só tinha mais alguns dias ali.

Isaac virou o rosto na direção dela, o olhar bem cortante:

— Você acha que eu estou com raiva por causa disso?

Ela piscou. Estaria irritado por quê, então?

O jeito como ele olhava para ela carregava um riso frio e uma ponta de deboche.

— Então quer dizer que esses cinco anos jogados no lixo não significaram nada, né?

Lorena não entendeu nada.

— Fala direito. — Ela reclamou. — Fala em linguagem de gente, sem esse tom cheio de indireta.

— Você… — Isaac ficou ainda mais nervoso. Ele a encarou e disparou. — Você realmente não sabe do que a sua família é capaz? E, mesmo assim, você veio sozinha? Aquele dia, na casa da sua avó, se eu não tivesse chegado na hora, eles tinham quebrado a sua mão!

Lorena franziu a testa. Então ele estava irritado por causa disso?

— Você percebe um problema e, em vez de falar comigo na mesma hora, você simplesmente aparece aqui sozinha para encarar o Francisco. O que passava pela sua cabeça? A sua coragem passou do ponto! — Isaac foi subindo o tom de reprimenda, a voz dele ficava cada vez mais alta.

A cabeça de Lorena chegou a zumbir.

— Precisa disso tudo? Você vai surtar desse jeito por quê? Eu só vim porque eu tinha certeza do que eu estava fazendo.

— Certeza do quê? Você é mais alta do que o Francisco? Corre mais do que ele? O seu soco é mais forte do que o dele? Se ele resolvesse bater em você, ou, pior, calar a sua boca de vez, você tinha como escapar?

Naquele momento, Isaac parecia um tigre com o rabo puxado, completamente eriçado, transbordando agressividade.

Lorena nunca tinha visto ele assim.

— Eu, pessoalmente, não tinha como competir, claro. É por isso que eu trouxe gente. — Ela disse, apontando para fora do carro.

Ele saiu, caminhou até os homens e, do lado de fora, Lorena o viu apontar o celular para o deles, escaneando alguma coisa. Parecia que ele tinha feito o pagamento pelo PayPal. Depois, ficou um tempo conversando com o grupo, deu um aperto de mão em cada um e, só então, se despediu.

Quando ele voltou para o carro, ela perguntou:

— O que você falou com eles?

— Nada demais. — Isaac respondeu, ajustando o cinto e ligando o motor. — Vamos para casa. Eles vão cuidar do resto.

— Desde quando você sabe que o Francisco estava fazendo coisa errada? — Lorena perguntou.

Ela não conseguia engolir aquela coincidência.

Isaac ficou em silêncio.

Lorena captou na hora.

— Não é possível que você já soubesse disso faz tempo…

— Já. — Ele respondeu, num tom neutro, arrancando com o carro.

— E por que você não me contou?

Era a família dela. Em qualquer lógica, assim que alguma coisa desse tipo aparecesse, Isaac deveria procurar ela primeiro, ainda que fosse mais uma humilhação para Lorena engolir.

Isaac só lançou um olhar de lado.

— Porque eu já tinha a situação sob controle. E, além disso…

— Além disso o quê? — Lorena insistiu, esperando que ele completasse a frase.

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