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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 198

Mal Lorena tinha pensado no nome de Aurora, o celular já começou a tocar.

— Isaac…

Lorena só ouviu aquele chamado meloso, cheio de charme, e Isaac já colocou o fone de ouvido para atender.

— Aurora. — Isaac, quando estava de bom humor, já falava com voz mansa. Mas, ao atender Aurora, o tom dele ficava tão doce que parecia que podia pingar.

Lorena não sabia exatamente o que Aurora dizia do outro lado, mas ouviu Isaac responder quase de imediato:

— Está bem, eu já vou aí te buscar. Me espera… Isso, fica aí… Quer que eu leve um café para você? Certo.

Lorena entendeu na hora. Assim que ele desligasse, a próxima frase dele seria: "Você volta de táxi, eu tenho um compromisso."

Então, "sensata" como sempre, ela mesma abriu a porta e desceu do carro.

— Lorena. — Isaac também saiu, deu a volta depressa e ficou na frente dela, bloqueando o caminho.

O que era agora? Lorena olhou para ele com um par de olhos cheios de cansaço e resignação.

— A Aurora foi visitar uns idosos em um asilo, comprou um monte de coisas para levar. Ela está sem carro para transportar tudo, então eu vou buscá-la e acompanhar ela até lá.

Lorena assentiu:

— Que bom. Muito bonito da parte dela.

— Você sabe que a Aurora sempre fez trabalho voluntário no hospital, ajudando idosos que não tinham ninguém. Ela é assim desde sempre, muito generosa.

Lorena precisou segurar o impulso de revirar os olhos. Ela assentiu de novo:

— Hum. Que ótimo.

— Lorena… — Isaac a encarou com muita seriedade. — Fazer caridade é uma coisa boa. E a Aurora ter esse coração é realmente algo muito bonito.

— Eu não falei o contrário. — Lorena respondeu, sorrindo. — Eu não acabei de dizer que é ótimo?

— Você está falando sério mesmo? — Isaac pareceu hesitar. — Eu achei que você estivesse sendo irônica.

— Claro que eu estou falando sério. — Lorena ampliou o sorriso. — Você está vendo algum traço de deboche no meu olhar?

Isaac ficou um tempo analisando o rosto dela, até que pareceu se convencer.

— Eu levo você um pedaço do caminho, depois você pega um táxi.

Lorena olhou de relance para Michel e Francisco, que saíam do prédio de cabeça baixa, murchos. Ela concordou. Era até melhor, porque ela não queria ouvir os berros daqueles dois naquele momento.

E, como se a cena tivesse sido roteirizada, assim que ela fechou a porta do carro, o pai dela começou a urrar lá de fora. Alguém, provavelmente, decidiu "dar uma lição" nele e, em seguida, veio um grito de dor.

Isaac olhou para ela:

— Você quer que eu mande eles não encostar nele?

Se as dívidas de Michel não fossem pagas, o desfecho para ele não seria nada bom.

— Sim. Ele é adulto, precisa assumir as próprias escolhas. Há vinte anos ele já era assim. Vinte anos depois, continua igual. Não tem por que ajudar. A vida é dele. Quem paga o preço agora é ele, não eu. — Lorena disse.

— Está bem.

— Eu desço aqui mesmo. Eu pego um carro de aplicativo e volto para casa. Pode me deixar neste ponto.

— E se nós formos juntos ver os idosos com a Aurora? — Isaac sugeriu de repente.

Lorena riu e balançou a cabeça:

— Não. A minha perna não ajuda, eu só ia atrapalhar a sua "obra de caridade".

Quanto ao lado voluntário de Aurora, Lorena tinha quase vontade de pegar pipoca para ver a hora em que Isaac fosse descobrir a verdade. Ela estava até curiosa pela reação dele.

Só não podia ser agora.

Se ele descobrisse tudo naquele momento, talvez tentasse segurar Lorena, impedir a partida dela, e isso complicaria o que ela tinha planejado com tanto cuidado.

Antes de sair daquela casa, ela não podia permitir nenhum fator de risco.

Só faltavam três dias…

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