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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 201

Lorena desligou o telefone.

Se Isaac fosse dormir na casa de Aurora, que fosse. Ela não tinha nada a opinar.

Ela largou o celular no criado-mudo, deitou novamente e fechou os olhos. Não imaginou que, cerca de meia hora depois, ouviria o barulho da porta se abrindo.

Isaac tinha voltado?

Lorena hesitou por alguns segundos e acabou se levantando para verificar. Principalmente porque, assim que ele entrou, começou a derrubar objetos no hall de entrada. Ela ficou preocupada: com ele naquele estado, será que a declaração de renúncia que Michel tinha assinado e já registrada em cartório tinha chegado inteira até ali?

Ela foi até a sala e, como esperava, encontrou Isaac parado no hall, com o olhar completamente perdido:

— Lorena, vem aqui.

Ele ainda a reconhecia.

Lorena se aproximou e falou sem rodeios:

— Impressionante. Você ainda consegue não me confundir com outra pessoa?

— Eu confundiria a minha própria esposa? — Isaac respondeu, com um tom estranho de mágoa, e passou o braço pelos ombros dela.

— Você… — O cheiro forte de álcool quase a fez recuar. Ela tentou empurrá-lo, mas, quanto mais pressionava, mais ele a apertava.

— Empurra mais… Se você me derrubar e eu morrer, você fica sem marido. — Isaac disse, com uma animação quase insana.

Com bêbado, raciocínio não servia para nada.

Por sorte, depois de saírem do hall e chegarem à sala, Isaac se largou sozinho no sofá, desabando ali. Em seguida, pegou um envelope da bolsa que carregava e o estendeu para ela:

— Toma.

Lorena pegou, abriu e conferiu. Estava tudo em ordem.

Isaac encostou a cabeça no encosto do sofá e soltou uma risada curta:

— Ainda precisa conferir? Não confia em mim? Tudo o que você me pede para resolver, desde quando eu falho com você?

— Está vendo? Você é assim, chata. — Isaac não só a impediu de levantar como a apertou ainda mais. — No ensino médio você já era assim. Toda certinha… sem graça.

Aquelas palavras rasgaram algo dentro dela como uma lâmina. Ardor. Dor.

Então era isso. A Lorena adolescente, com todas as emoções cruas e intensas, com aquela paixão silenciosa que carregara por anos, para ele não passava de alguém "sem graça". Dizem que bêbado fala a verdade. Naquela noite, ele apenas retirara os filtros.

— E quem é interessante, então? — Lorena perguntou, com um sorriso frio.

— A Aurora, claro. — Ele respondeu sem hesitar. — Você não vê como ela é incrível? Ela organizou toda uma ação de caridade, correu atrás de tudo, mas no fim me colocou na frente para receber os créditos, enquanto ela ficou nos bastidores. Você sabe… quando ela piscou para mim no meio da multidão, eu quase morri de tanta fofura.

"Fofa."

Um CEO poderoso, completamente mergulhado num romance, era capaz de usar aquele tipo de palavra para descrever uma mulher.

Lorena manteve o rosto neutro. Sem fazer barulho, pegou o tablet que havia deixado no sofá antes de dormir e começou a gravar o áudio daquela conversa.

— A Aurora… — Isaac murmurou, com os olhos semicerrados e um sorriso frouxo nos lábios. — Ela chegou a lavar os pés dos idosos no asilo. Eu fiquei chocado. E ela ainda disse: "Isso não é nada. Na época em que eu era voluntária no hospital, também lavava os pés dos velhinhos."

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