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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 223

— Senhora, isso é dinheiro demais. — Isabela não se atrevia a aceitar e falou depressa.

— Eu preciso te dar. — Lorena respondeu. — Você se machucou de um jeito que vai ficar uns dois, três meses sem poder trabalhar. Mesmo que seja só como indenização pelo tempo parada, eu tenho que te pagar. Daqui para a frente, se você tiver qualquer ideia, qualquer necessidade, você ainda pode falar comigo. Eu sei que não vou estar mais em Huambo, mas, dentro do que eu conseguir fazer, eu vou tentar te ajudar.

Lorena não ficou muito tempo no hospital. O celular dela tocou, era Isaac. Assim que ela atendeu, ele já perguntou onde ela estava.

— Eu estou no hospital, visitando a Isabela. Você está em casa?

Lorena ficou com medo de ele já ter visto o acordo de divórcio.

— Sim, eu cheguei em casa e não vi você. Que horas é bom para você? Eu posso ir te buscar.

— Ah… eu já estou quase saindo.

Pelo jeito, ele ainda não tinha encontrado nada.

— Então me espera, eu vou aí te buscar. Eu chego daqui a pouco.

— Está bem. — Lorena, na verdade, já estava de saída, mas então resolveu esperar por Isaac. Ele tinha saído do trabalho tão cedo hoje?

— Foi o Sr. Cunha que ligou para você? — Isabela perguntou.

Lorena confirmou com a cabeça:

— Sim. Se algum dia você precisar de ajuda, você também pode procurar ele. Ele… na maior parte do tempo, está disposto a ajudar.

Para ser justa, Isaac não era um homem mau. Enquanto não envolvesse Aurora, ele costumava ajudar, sim. Principalmente porque, na vida de Isabela, ainda existia um perigo escondido: ninguém sabia se aquele problema lá da cidade dela, no interior, ia voltar a importunar ela e a filha.

Isabela também entendia isso. Ela assentiu:

— Obrigada por tudo, senhora. Eu espero que, de agora em diante, a senhora seja muito feliz.

— Eu vou ser. — Lorena respondeu.

Lorena, claro, queria ser feliz. Foi justamente para garantir a própria felicidade no resto da vida que ela decidiu sair de Huambo e se afastar daquele homem.

O hospital ficava perto da casa deles, então Isaac chegou em pouco mais de dez minutos. Ele entrou direto no quarto, o que, no fim das contas, também contou como uma visita para Isabela.

O horário de visitas já estava quase terminando, e a própria Isabela insistiu para que eles voltassem para casa.

— Então a gente vai indo. Se você precisar de qualquer coisa, entra em contato com a gente. — Isaac falou, enquanto segurava a mão de Lorena para sair do quarto.

Mas Lorena foi direto para o guichê de pagamento.

— Eu pago. — Isaac tirou o cartão de crédito. — As despesas do hospital não foram suficientes?

— Eu quero deixar um valor a mais. — Lorena explicou. — Quando Isabela tiver alta, é bem provável que a gente não consiga vir buscá-la. Se eu deixar tudo pago agora, ela vai ter dinheiro suficiente para acertar a conta e ir embora tranquila.

— Tudo bem. — Isaac autorizou um valor bem alto. — Se sobrar na hora da alta, eles podem entregar para ela como uma compensação.

— Na minha frente, você não precisa se preocupar com etiqueta.

Por essas e outras, no fim das contas, ele sempre parecia ter duas caras.

Lorena pediu uma feijoada, uma moqueca e ainda uma picanha assada. Como acompanhamento principal, ela escolheu arroz branco. Quando ela viu coxinha no cardápio, ela não resistiu e acrescentou uma porção. Também pediu pão de queijo.

Quando ela já ia devolver o cardápio para Isaac, ela hesitou por um instante e, no fim, não aguentou: acrescentou ainda um prato de carne bovina cozida lentamente, também com arroz branco.

Isaac não segurou o riso.

— Você gosta mesmo disso tudo?

— Eu gosto, sim. — Lorena respondeu com toda a segurança. — O problema é que, no dia a dia, eu quase não como.

— Eu achei que vocês, que trabalham com dança, sempre controlavam o corpo com todo o rigor e nem encostavam nesse tipo de comida. — Isaac olhou de novo para os pedidos, ainda com um sorriso no rosto. — Feijoada, arroz branco, coxinha, pão de queijo… é carboidrato e gordura de mãos dadas. Será que nós dois damos conta de comer tudo isso?

— Eu quero feijoada. Principalmente para jogar o caldo em cima do arroz branco. — Lorena falou. — E eu quero coxinha e pão de queijo também, porque pode ser que eu fique muito tempo sem comer isso.

— Não é mais simples pedir churrasco? Um bom churrasco brasileiro?

— Não. Eu não gosto de ficar cortando carne.

Naquele jantar, ela já tinha decidido. Naquela noite, ela ia comer exatamente o que ela quisesse, do jeito que desse vontade.

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