Isaac não falou nada. Ele apenas devolveu o celular para Lorena e começou a comer em silêncio, de cabeça baixa.
Os pratos não eram exatamente do gosto dele, mas ele mesmo assim repetiu uma, duas, três vezes.
Rita chegou a estranhar.
— Isaac, meu filho, você ficou quanto tempo sem comer pra estar com essa fome toda assim?
Lorena lançou um olhar de lado para ele. Imaginou que ele devia estar desde a noite anterior sem conseguir comer nem dormir direito. Afinal, a pessoa de quem ele realmente se importava estava doente. Ele tinha passado o dia e a noite preocupado. Agora, qualquer coisa que comesse parecia deliciosa.
Isaac, porém, respondeu:
— Vó, é que a sua comida é boa demais.
A avó riu, satisfeita.
— Vocês vivem tão ocupados… se tivessem mais tempo, podiam vir comer aqui mais vezes. Eu cozinhava pra vocês.
— Vó. — Isaac segurou o prato, ainda com vontade de repetir. — Lá no nosso condomínio tem uns apartamentos voltando pro mercado. A gente podia comprar um pra senhora lá, que tal?
Rita mal deixou ele terminar. Sorriu e balançou a mão, rindo.
— Não precisa, estou ótima aqui. Aqui tem vizinho de muitos anos, todo mundo se conhece. E no sítio eu ainda planto minhas frutas, minhas verduras, minhas coisinhas. Depois eu mando pra vocês.
Na verdade, aquela não tinha sido a primeira vez que Isaac fazia essa proposta. Quando Rita tinha caído, anos atrás, ele já tinha falado em comprar um apartamento pra ela no mesmo condomínio. Na época, ela também tinha recusado, dizendo que já estava acostumada com a vida no interior.
Em particular, porém, Rita tinha sido muito clara com Lorena: não podia, só por ter se casado com Isaac, começar a exigir tudo dele. O dinheiro dele vinha do esforço dele, não era algo que tivesse caído do céu.
— Está bem. — Isaac tomou o resto da sopa e soltou um suspiro satisfeito. — Está até mais gostosa que a sopa da Isabela. Vó, qual é o seu segredo?
— Bobo, você só quer me deixar feliz. — Rita acabou rindo da comparação.
Lorena pensou que, talvez, naquele mundo inteiro, a avó fosse a única pessoa que ainda podia chamar Isaac de “bobo” sem que ele se incomodasse.
Se existisse alguém, dentro daquele casamento, que ela pudesse considerar como apoio verdadeiro, era só a avó.
Rita gostava de Isaac de verdade.
Não era por ele ser rico. Era porque ela acreditava em trocar carinho por carinho: se tratasse Isaac com afeto, esperava que ele também cuidasse bem da neta querida dela.
Quando todos terminaram de comer, Rita começou a recolher os pratos. Alberto logo se levantou para ajudar. O que ninguém esperava era que Isaac também fosse disputar os pratos nas mãos. No fim, foi ele quem “venceu”: saiu carregando tudo para a cozinha, ocupou a pia e ainda lançou por cima do ombro:
— Eu não sou visita!
Rita ficou até meio sem graça.
Lorena segurou o braço da avó.
— Deixa, vó. Deixa ele lá. — Ela falou baixinho.
Naquele momento, tanto fazia o que ele resolvesse fazer. Se quisesse lavar louça, que lavasse. Se quisesse esfregar o chão, melhor ainda. Se ela pudesse espremer até a última gota de “utilidade” dele, faria sem culpa. Ela chegou a pensar, por um instante, em aceitar a oferta de Isaac e deixar que comprasse um apartamento para a avó. Rita não era como os pais dela, eternamente insaciáveis. A avó merecia.
Vendo a expressão meio aflita de Rita, Lorena se conteve para não despejar tudo que estava engasgado dentro de si. Apenas tentou acalmar a avó:
— Vó, fica tranquila. Ele não é um filhinho de papai mimado, não. Ele sabe fazer de tudo.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...