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Cinco Anos de Um Casamento Vazio romance Capítulo 51

Ela fechou os olhos, como se estivesse prestes a dormir.

— Uhum, eu sabia. — Ela murmurou.

Ela já tinha bloqueado Aurora. Não importava o que Aurora postasse, ela não via mais nada.

— O que houve? Já foi dormir cedo desse jeito? — Ele franziu a testa. — Você tá passando mal? Deixa eu ver.

Ele se inclinou sobre ela, querendo ver o rosto dela.

— Você não tá chorando escondido, né?

Como se ela fosse chorar por isso.

— Levanta, deixa eu ver você. — Ele enfiou as duas mãos por baixo da cintura dela e a ergueu no colo sem cerimônia.

Ela abriu os olhos. Ele viu que os olhos dela estavam completamente secos, sem nenhuma lágrima, nem sequer vermelhos como antes. O olhar dela estava apenas calmo, distante, sem nenhuma emoção.

— Você tá com sono de verdade, né? — Ele a colocou de volta no colchão. — Então dorme…

Depois que ele puxou o cobertor sobre ela, ficou observando os olhos dela se fechando. Hesitou por um instante, mas ainda assim falou:

— Lorena, amanhã eu vou viajar a trabalho.

Ela abriu os olhos na mesma hora. Aquilo não significava que podia ir escondida para Alvorada fazer a coleta das digitais, sem que ele soubesse?

Ela se empolgou tanto que se sentou de uma vez, com os olhos brilhando.

— Você vai ficar quantos dias?

— Uns três, quatro dias. Se atrasar, uma semana. — Ele voltou a franzir a testa. Achou a reação dela exagerada demais. O que aquilo queria dizer?

Ela realmente podia ir para Alvorada sem nenhuma preocupação.

— N-não, nada não… você vai com quem? — Ela perguntou de repente, tentando disfarçar a animação.

A expressão dele ficou ainda mais indecisa.

— Eu vou com… o Breno…

Ele fez uma pausa antes de completar:

— E talvez a Aurora vá também.

Ele saiu do quarto, mas o perfume de Aurora ainda ficou suspenso no ar. Lorena se levantou, pegou o próprio perfume e borrifou o quarto inteiro. Só depois encheu o peito de ar e disse a si mesma, em silêncio: “Vai ser assim mesmo. De qualquer jeito, eu vou embora logo. Não vou gastar energia com coisas que não valem nada.”

No dia seguinte, quando Isaac acordou, Lorena ainda estava dormindo.

Ela tinha achado que ele ia se arrumar sozinho e sair. Mas, para surpresa dela, ele fez questão de acordá-la.

— Tô com sono! — Ela deu um tapa no dorso da mão dele.

— Sra. Cunha… — Ele chamou, parado ao lado da cama, arrastando a voz. — Você tá cada dia mais displicente. Você não cuida mais da minha comida, não separa mais a minha roupa. Eu vou viajar a trabalho e nem a mala você arrumou pra mim?

Lorena abriu os olhos. Então era isso. Ele ainda esperava que ela cuidasse de tudo.

Ela entrou no closet, abriu a mala dele e separou roupas suficientes para uma semana. Dobrou tudo direitinho, guardou e também organizou os itens de higiene, cada coisa em um saquinho, antes de colocar na mala. Por fim, puxou a mala de volta para o quarto, abriu a gaveta, pegou uma caixa de preservativos e se preparou para colocar dentro.

Mas, assim que colocou a caixa por cima das roupas, ele segurou o braço dela.

— De onde você tirou isso aqui? — Isaac apertou o pulso dela e perguntou, em tom de cobrança.

Na verdade, aquela caixa de preservativos estava ali desde a lua de mel. Ela tinha comprado. Na época, ainda não tinha certeza se aquele casamento com Isaac era algo em que podia colocar um filho. Achava que, naquele momento, eles não tinham base emocional nenhuma — e que era melhor não trazer uma criança para aquilo.

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