— Eu não vou arrumar. Se vira. — Ela disse, abriu a porta e saiu.
Ela nem tomou café da manhã em casa. Ela saiu, comprou um café e um croissant, comeu ali mesmo e, só então, chamou um carro para ir ao hospital. Quando a sessão de acupuntura terminou, ela ouviu o toque do próprio celular. Atendeu, e a voz aflita dele veio direto ao ouvido dela:
— Lorena, onde eu coloquei uma pasta de papel pardo?
— Não sei. — Respondeu, calma.
— Eu deixei na divisória da mala. Você guardou onde? — A voz de Isaac ficou ainda mais tensa. — Eu preciso dela agora pra uma reunião.
Lorena agradeceu ao médico, pegou a bolsa, saiu do consultório e só então respondeu, sem pressa:
— A mala? Não arrumei, não sei.
— Você não… — Isaac engasgou de espanto e foi às pressas até o hall de entrada. Ele viu a própria mala parada no mesmo lugar de sempre, sem ninguém ter mexido. — Minha mala estava no hall. Você não viu?
— Ah, eu vi. — Ela disse, enquanto saía do hospital. Dessa vez, não chamou carro nenhum. Começou a andar devagar pela rua em frente ao hospital.
— E você não mexeu na mala? — O tom de Isaac ficou ainda mais incrédulo.
— Não. Eu não mexi.
Por que ela tinha que mexer?
— Onde você está? Por que eu estou ouvindo música aí do seu lado? — Ele insistiu, a voz já impaciente.
— Eu estou passeando. — Ela respondeu. Na mesma hora, ela viu uma cafeteria do outro lado da calçada, com mesas na área externa. A tal “música” vinha de lá.
— Você está passeando? Como assim você está passeando?
Ela entrou na cafeteria. Uma atendente, com uniforme preto, levou ela até uma mesa com um sorriso educado.
— Você está querendo dizer que, só porque eu manco, eu não posso passear? — Ela retrucou.
Do outro lado da linha, o silêncio dele pesou. Demorou alguns segundos até que ele voltasse a falar:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Atualizaaaaa...
Quando terá atualização???...