Aquele entardecer talvez devesse ter ficado para sempre como uma lembrança que não desbotaria na juventude dela. Mas, no fim, cinco anos de casamento tinham consumido, pouco a pouco, todos aqueles anos de paixão secreta. No final, só tinha sobrado um cenário de devastação, sem um mínimo de dignidade.
Ela não teve pressa nenhuma. Ela ficou sentada na cafeteria, terminou o café e o bolo devagar e, depois, foi assistir a um filme.
Quando a sessão terminou, já era de tarde.
Ela ainda não tinha almoçado, então chamou um carro e foi comer uma coxinha.
Na primeira mordida, a casquinha crocante e o recheio generoso de frango se espalharam na boca dela. O cheiro e o sabor tomaram conta do paladar, trazendo uma sensação de satisfação quase completa.
Até ali, tudo o que ela tinha planejado fazer naquele dia, ela já tinha feito. E, de quebra, ela ainda estava de estômago cheio. Ela resolveu sair do beco e caminhar um pouco antes de chamar outro carro, só para ajudar na digestão.
O beco tinha várias lojinhas cheias de charme, cada uma com um toque diferente. Ela foi andando devagar, olhando vitrine por vitrine. Quando ela viu um grupo de garotas na fila de uma doceria, ela entrou na fila também, só por entrar no clima.
O mais curioso era que ninguém prestou atenção no fato de ela mancar. Ou, se alguém percebeu, ninguém olhou para ela de um jeito esquisito.
Quando ela saiu da loja com a caixinha de bolo nas mãos, ela sentiu uma emoção diferente apertar o peito.
Ela percebeu que sair daquele espaço pequeno e sufocante que girava em torno de Isaac não tinha sido tão difícil assim.
Ela percebeu que, tirando aquele grupo em volta de Isaac, que parecia sentir prazer em rir da perna manca dela, o resto do mundo não era tão cruel assim. Pessoas estranhas, no geral, não carregavam tanta maldade gratuita.
Ela voltou para casa de carro, abraçada à caixinha de bolo.
Em casa, só estava Isabela. Isaac, com certeza, ainda não tinha voltado.
— Senhora, o que a senhora quer que eu faça para o jantar hoje? — Isabela já estava se preparando para cozinhar.
— A partir de agora, você não precisa mais me perguntar o que eu quero comer. — Ela respondeu, ainda segurando o bolo. Ela sabia que não ficaria ali por muito tempo. Ela nem sabia se, depois que ela fosse embora, Isaac continuaria empregando Isabela.
Quando ela viu a expressão confusa da funcionária, ela só suspirou por dentro e completou:
— Daqui pra frente, cozinha do jeito que você gosta. Faz o que você tiver vontade de comer.
Outra vez, ela comentou:
— Isaac, falaram que abriu um restaurante ótimo. Se você tiver livre esse fim de semana, a gente podia ir provar.
Ele respondeu:
— No fim de semana eu marquei com cliente. Ou então eu vou sair com o Breno e o pessoal.
Todas as sugestões que ela fazia, todas as tentativas de incluir ele nos planos dela, terminavam sempre no mesmo ponto: em respostas vagas, sempre adiadas para depois.
Aqueles adiamentos acabaram empurrando a vida deles por cinco anos inteiros.
Naquele dia, ela tinha ido ao cinema sozinha, tinha comido o que quis sozinha, tinha recebido gentilezas de completos desconhecidos. Ela mesma tinha colocado um ponto final bonito, do jeito dela, nesses cinco anos.
Meia-noite chegou e Isaac ainda não tinha voltado. O dia de número dezenove no contador dela tinha acabado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Eu não vejo Alberto uma versão masculina da Aurora, apesar dele ter a agredido ela fisicamente. Trata-se de um cara com autoestima baixa e um casal que não empolga, desanima até ler... No entanto, Lorena e Alberto sem química. O Isaac errou em não defender a Lorena, por diversas vezes, sendo um mas bosta na época, no da justifica, contudo, foi pontuado no texto. Ele foi enganado, um homem fraco. Todavia, carregou a família horrível da Lorena nas costas, como também deixou tudo a Lorena. Os homens de hoje não pagam nem pensão alimentícia, abandono efetivo ... quando companheira adoece muitos somem... Eu torço por uma reconciliação entre Lorena e Isaac. Mas, de forma calorosa que passa emoção......
Sabemos que mesmo sem ter afeto, qualquer ser humano ficam mexido em ver os ex com outras, seja de uma forma Graça a Deus seguiu na vida ou ao contrário... Faltou isso nessa narrativa... Tanto por parte de Isaac e Lorena. Também nem mencionou que a lojinha é herança do pai, Senhor..., tudo escrito de forma fragmentada......
Parei de ler no 460 poucos e pelos comentários tô decidindo se volto a ler,mas tá difícil....
kkkk ainda to no cap 397 mas não aguentei e li os comentários kkkk tô chocada Lorena e Alberto sem condição, Isaac namorando outra pior ainda, Autor pelo amor de Deus bota romance e sentido nessa historia. Vou me agarrar a um fiozinho de esperança do Isaac e a Lorena ficarem juntos em uma reviravalta bem explicadinha....
Parece que o Alberto é uma versão masculina da Aurora....
Se ela não voltar para o Isaac de um jeito bem explicadinho que SEMPRE FOI ELA, que ele a ama, eu vou ficar muito irritada com essa história....
Pessoal, eu não irei gastar meu as minhas moedas com o Alberto- lei Maria da Penha. Por favor, colocam os resumos quem puder, quando a estória ficar interessante, gasto as minhas moedas...
Ela tem que se cansar logo do Alberto ele está insuportável, e voltar para o Isaac...
Vai lançar mais capítulos? Oi esse será o fim?...
A relação de Lorena e Alberto não é normal, não é possível. Para uma mulher que se diz querer uma vida nova, tá fazendo tudo que Alberto quer, tudo é motivo para ele achar ruim e ela abaixar a cabeça para tudo....