Aurora acariciou a parede morna do copo de água com os dedos. Não falou, apenas a olhou em silêncio.
Vendo que ela não respondia, Francisca continuou:
— Falando nisso, foi realmente um grande mal-entendido.
— Você também sabe que o Grupo Martins tem muitas equipes de pesquisa científica. A concorrência é muito intensa.
— Eles se envolvem em vários projetos. Desde que seja promissor, todos vão lutar por ele.
Ela abriu as mãos com impotência:
— Este projeto de próteses de IA caiu de forma extremamente coincidente nas mãos da minha equipe.
— Na época, eu tinha acabado de concluir uma pesquisa chave nacional, e a equipe estava livre.
— O pessoal de baixo apresentou o projeto. Eu achei promissor e aceitei de passagem.
Ela se livrou de toda a responsabilidade enquanto observava a expressão de Aurora.
Como se conquistar o mercado e suprimir o Inspiração fosse pura coincidência, uma ideia dos subordinados que não tinha nada a ver com ela.
Francisca assumiu uma expressão inocente:
— Eu tive muito medo de que você entendesse mal na época, queria te procurar para explicar... mas não consegui contato com você de jeito nenhum.
Ela inclinou-se novamente para a frente, abaixando a voz:
— Há mais de um ano... você está bem?
— Claro que não acredito de jeito nenhum nesses boatos absurdos lá fora.
— Dizem que você e Nelson Morais...
Aurora pegou o copo e tomou um gole de água morna.
Colocou o copo na mesa e encontrou o olhar de Francisca sem mudar de expressão.
— Os boatos param nos sábios.
— Eu imagino que, com o intelecto de Francisca, você não acreditaria nessas besteiras.
Francisca se engasgou, como se desse um soco no algodão.
Aurora continuou:
— Já que a Francisca queria explicar esse mal-entendido para mim, agora o mal-entendido está resolvido. Eu vou voltar primeiro.
Após falar, fez menção de levantar.
Um incômodo surgiu no coração de Francisca.
A calma de Aurora fazia com que o seu grande discurso anterior parecesse o monólogo de um palhaço.
Como uma pessoa tão orgulhosa quanto ela poderia aturar isso?
— Qual a pressa?
Francisca falou de repente, ainda com um sorriso gentil no rosto:
— É raro nos encontrarmos, não tem nada que queira me dizer?
— Afinal... o meu status agora é diferente.
O corpo que Aurora mal havia levantado voltou a se sentar lentamente.
— É verdade. Ouvi dizer que se casou com o Sr. Martins, parabéns.
— Obrigada.
Ela acariciou o anel de diamante no dedo anelar com um rosto feliz. O enorme diamante brilhava sob a luz.
— Na verdade, eu também não esperava que um dia nos tornaríamos família.

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