Leana
_ Meu Deus, o que você fez?
Perguntou minha mãe ao entrar no quarto. Revirei meus olhos, todos estão tratando como se fosse o fim do mundo.
_ *Porra do *caralho, a gente conversou quinze mil vezes sobre isso Lê? Por que você tem que ser tão teimosa?
_ Porque eu puxei ao senhor, papai!
Ele fechou os punhos e saiu do quarto bufando, minha mãe sentou na cama e colocou as mãos no rosto.
_ Onde estão?
_ Onde estão o que mamãe?
_ O RESTO DOS SEUS CABELOS LEANA!
Bom, acho que realmente tirei ela do sério. Mamãe nunca gritou comigo..
_ No banheiro.
Respondi envergonhada. Ela levantou e foi até o banheiro voltando com meu *rabo de cabelos. Mamãe saiu do quarto batendo pé também.
_ Por que você tinha que ligar pra ela ?
Questionei minha irmã que estava sentada em uma poltrona.
_ Por que? Se a mamãe não viesse o papai ia surtar !
_ Pois ele não surtou quando ela não estava aqui!
_ Isso porque ele se controlou, mas estava à beira de uma crise!
Acho que vimos o papai em crise uma vez apenas, e foi quando não sabíamos qual identidade estava assumindo pareciam ser todas ao mesmo tempo. Ele teve que tomar medicação uma vez para se acalmar e retomar o controle.
_ É só a porcaria de um cabelo!
Gritei enquanto jogava a tesoura no chão.
_ Sim, um cabelo que o papai sempre amou.
Respondeu minha irmã a altura.
_ AMOU TANTO E AGORA VAI ABRIR MÃO PRA UM *IDIOTA SE APOSSAR, ISSO SIM!
Uma lágrima solitária desceu pelo meu rosto.
_ Você ainda está triste com o casamento?
Perguntou Lalá.
_ O que você acha? Acha que eu desejo me casar com Emanuel?
_ Eu pensei que..
_ PENSOU ERRADO LAENA, PENSOU ERRADO ! Eu.. eu *odeio aquele *idiota com todas as minhas forças.. ele .. ele simplesmente brinca com meus sentimentos.. e você deveria *odiar o Diego também, e não ficar esbanjando um sorriso e o anel que ele te deu!
Retirei o anel do meu dedo e joguei dentro do vaso.
_ LÊ, NÃO FAÇA ISSO!
Minha irmã gritou enquanto eu acionava o botão da descarga.
_ Os dois são *idiotas, eles vão fazer como todos os homens da máfia fazem, vão apenas nos iludir enquanto saem por aí *transando com qualquer uma em boates sujas!
_ Eles são diferentes Lê.. a tia Olivia vai..
_ Ela não vai se meter, mana, ela vai deixar que nos acertamos sozinhos e você acha mesmo que o Emanuel e o Diego vão respeitar nosso matrimônio? Por favor, você é muito mais ingênua do que eu imaginava !
Saí do quarto e bati a porta. Corri até a estufa de flores e me joguei no sofá que havia ali.
Durante a noite comecei a sentir muita indignação, muita raiva da minha vida. Sinceramente se não fosse pela minha irmã eu tentaria uma fuga durante essa viagem, mas sei que ela não iria querer embarcar nessa comigo, ainda mais sendo apaixonada pelo *otário do Diego.
_ Ahm, moça?
Ergui minha cabeça assustada, geralmente ninguém vem aqui, exceto o..
_ Jardineiro?
_ Sim, senhora. Desculpe, não vi que era a senhora..
Disse ela meio sem jeito. É um rapaz bem mais velho que eu, mas seu jeito educado diz muito sobre ele e as botas sujas de lama também.
_ Ah, posso ajudar?
Perguntei enquanto me arrumava no sofá.
_ Eu vou fazer a podagem e colocar adubo, talvez o cheiro fique um pouco forte.
_ Ah, tudo bem, pode fingir que não estou aqui.
Falei sorrindo. Ele assentiu e começou seu trabalho. Me joguei pra trás no sofá e fechei meus olhos, acabei me encolhendo pelo frio. A noite mal dormida acabou me pegando desprevenida e toda a raiva que eu estava sentindo até poucos minutos atrás se transformaram em sono.
(...)
Me remexi no sofá confortável, dava pra ouvir as gotas de chuva pingando no teto de vidro da estufa. Meu corpo estava quente, muito quente. Inalei um perfume desconhecido, mas não era o cheiro de adubo.
Abri meus olhos lentamente. Em cima de mim, me cobrindo quase que inteira estava um casaco enorme e quentinho masculino.
_ Hm?
Resmunguei enquanto me sentava. Agora, com meu cabelo curto, minha cabeça pareceu mais leve e eu um daqueles bonecos cabeçudos que se coloca pra enfeitar painel de caminhoneiro.
Observei a rua, já estava escuro e caia uma chuva forte. Olhei ao meu redor e de longe vi o jardineiro terminando seus afazeres. Peguei o casaco e caminhei até ele.
_ Oi.. ahm, é seu?
_ Sim senhora, parecia com frio. Mas ele está limpo, eu não o uso quando estou trabalhando.
Disse ele exasperado.
_ Tudo bem, não me importo com isso. Obrigado por se importar.
Falei enquanto devolvia o casaco. Ele tirou a luva e pegou o casaco com uma mão, com a outra permaneceu segurando uma tesoura enorme.
Caminhei até a saída mas quando abri a porta tive que fechar, a chuva estava muito forte, tão forte a ponto de uma rajada de vento fazê-la e me molhar.
_ *Droga!
Resmunguei ao perceber que me molhei atoa.
_ Está tudo bem?

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