Anastasia
Sempre fui muito reservada, nunca gostei de me envolver com pessoas e muito menos de conversar. Minha mãe é totalmente o oposto de mim e meu pai também, então por quem eu puxei esse aspecto peculiar? Eu sei que sou filha da minha mãe, mas por que tão diferente ?
A única pessoa com quem eu converso é com ele, Antony. Ele deu um jeito de chegar até mim a muitos anos atrás. Nos conhecemos em um jantar do papai e da mãe com os pais dele, e desde então ele vem sendo presente na minha vida de maneiras diferentes.
Eu era muito nova quando ele invadiu meu tablet e capturou algumas fotos minhas com a camera. Depois ele mandou mensagem e eu respondi. Ele se apresentou e eu também mas desde então aprendi a colocar fita na câmera e no microfone dos aparelhos. Antony não tem limites, ele não se importa com privacidade e nem com os outros. Mesmo com meu pai pressionando o pai dele para que parasse de fazer isso ele não parou e com o passar dos anos tem piorado. Eu sei que sou prometida em casamento a ele, todos sabem, mas por que logo eu? Ok, interagimos quando éramos crianças, mas pra que isso? Desnecessário. Eu sei que os outros integrantes da máfia me acham estranha e agradeço por isso. Graças a essa minha ‘peculiaridade’ ninguém enche meu saco e nenhum deles quer a minha mão. Eu não sei porque sou assim, eu apenas .. sei lá, apenas sou assim.
Agora ele tem dezenove anos e eu quinze, estou prestes a fazer dezesseis e ainda tenho mais dois anos inteiros sem ser casada com ele. Eu não tenho nenhuma boa expectativa desse casamento. Provavelmente ele é um homem experiente em relação a *sexo e relacionamentos, já eu nem tanto já que não saio de casa nem pra estudar. Até é bom assim, dessa forma não preciso conversar com outras adolescentes da minha idade. Eu gosto de ler e navegar na internet, mas ultimamente tenho ficado mais afastada porque Antony não para de me vigiar.
_ Filha, estou indo pro consultório, o que acha de ir comigo hoje?
_ Pra que?
_ Ue.. pra sair um pouco de casa, sabe..
Minha mãe se sente solitária sem o meu pai já que eu não consigo manter um dialogo muito longo com ela.
_ Ok.
Levantei e coloquei uma roupa quente. Minha mãe é toda elegante e bonita, já eu sou pequena, quase desnutrida. Sou muito magra, não entendo porque. Eu como bem, e os médicos já disseram que não há nada de errado.
Fizemos o trajeto inteiro com a mamãe conversando praticamente sozinha. Eu não consigo tagarelar tanto como ela, apenas respondo sim, não e ok.
_ Podemos passar no shopping mais tarde, o que acha ?
_ Ok.
_ Sabe, eu estava pensando em comprar um presente pro seu pai, mas não sei exatamente o que. Talvez uma gravata..
Disse ela pensativa.
_ A senhora deu gravatas para ele nos três últimos aniversários e ele não usa nenhuma.
_ Nossa, eu não havia percebido.. mas por que será? Ivan gosta de todas as coisas que eu dou.
_ Ele gosta porque vocês são um casal. Ele tem o sentimento de obrigação e não o de amor com as coisas que a senhora dá a ele.
Quando eu notei as palavras já haviam saído da minha boca e foi horrível ver minha mãe murchar no volante.
Nós estacionamos no prédio e descemos. Ela me deu um sorriso gentil e forçado. Quando chegamos ao consultório dela o clima não mudou. Dava pra ver que ela estava desconfortável. Parei e pensei um pouco em algo que pudesse fazê-la sorrir novamente e levantei. Ela me olhou surpresa.
_ Eu volto daqui a pouco.
Falei enquanto virava minhas costas.
_ Onde você vai ?
_ Eu já volto.
Respondi novamente. O shopping era a duas quadras do consultório da minha mãe então caminhei até ele. Fui objetiva. Pesquisei a loja que ela costuma comprar joias e bolsas e fui diretamente lá.
Quando entrei algumas mulheres me olharam estranho, provavelmente me achando inferior para estar em um ambiente tão requintado.
Fui direto na bolsa branca que ela tanto anda cobiçando. Ela não compra porque diz que está agindo como uma consumista e já tem bolsas o suficiente. Dá pra ver que ela quer muito mas se contém.
Peguei a bolsa e observei que na vitrine havia um colar delicado de diamantes discretos e pequenos, ficariam perfeitos no pescoço fino dela.
_ Boa tarde, eu quero aquele colar.
Falei apontando para a vitrine olhando fixamente para a atendente que parecia ter um certo desdém da minha aparência pobre.
_ Ah querida, aquele colar é caro, e essa bolsa também. Quem sabe algo mais barato, sim?
_ Não. Estou aqui pra comprar e você para me atender. Me dê o colar, é ele que quero comprar.
Ela deu uma risada meio amarga e outras atendentes fizeram o mesmo. Me sent extremamente desconfortável.
_ Ela disse que quer o colar, vocês são surdas?
Revire meus olhos ao ouvir a voz de Antony. Virei para ele e o encarei.
_ Eu posso lidar com essa situação perfeitamente sozinha, obrigado.
Virei novamente para a atendente que estava com a testa franzida.
_ Me dê o colar ou eu ligo para o seu gerente. Acha que não posso pagar? Meus pais tem bem mais dinheiro que o dono dessa loja. Agora ande logo e faça o que você é paga para fazer.
Caminhei até o caixa. A atendente pegou o colar com a caixa e o observei de perto. Ficaria perfeito na minha mãe.
Tirei o cartão da capa do meu celular.

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