Valéria:
Quando estava chegando ao térreo, nos despedimos com um beijo. Pelo espelho do elevador, vi meus lábios inchados, pescoço vermelho. Eu estava um caos. Usei o cabelo pra encobrir as marcas no pescoço, peguei minha bolsa jogada em um canto, coloquei óculos escuros e saí, deixando os três babando dentro do elevador. Fiz questão de caprichar no rebolado. Eu estava perdida!
Passo por Daniela, que me perguntou se havia dado certo. Eu disse que sim e agradeci por perguntar, nos despedimos e segui pra casa. Seria uma longa noite.
Assim que me aproximei da estação, o telefone tocou e era minha maluquinha preferida.
— Oi, sua amiga da onça! Onde você se meteu?
— Oi, amiga, desculpa, meu telefone descarregou. Como foi a entrevista?
— Foi bem, começo segunda.
— Que maravilha! Tô indo pro seu apartamento, te vejo lá, beijos.
— Beijos, daqui uns 40 minutos chego lá.
Desliguei e caminhei em direção à estação do metrô.
Quase uma hora depois, cheguei ao apartamento. Cami estava com uma camionete me esperando. Ela era mesmo maluquinha.
— Amiga, quero ver se não carregamos todas as suas caixas nessa belezinha!
A camionete era das antigas, de cor amarela. Eu queria saber onde ela arrumou essa antiguidade. Caminhamos para o apartamento. José, que ficava na portaria, nos ajudou a descer com as caixas, e acomodamos tudo na Magnólia. Era o nome da belezura e pertencia ao tio da Cami. Ele tinha um ferro-velho e praticamente colecionava esses carros antigos, ela me contava enquanto carregávamos as caixas.
Foi um dia cheio. Depois de chegar ao apartamento da Cami, tomei um banho relaxante antes de começar a organizar minhas coisas. O apartamento era um pouco maior que o meu. Como não sabia se daria certo a longo prazo o emprego na Romano, iria economizar o máximo que pudesse, com o salário e mais o aluguel do meu apartamento no Central Park. Quem sabe em um ano não juntaria dinheiro o suficiente pra montar um pequeno negócio.
O que me incomodava era ter "transado" com meus patrões mesmo depois de descobrir quem eles eram. Isso tinha que parar. Não queria me sentir uma prostituta. Eu sabia que era errado, mas algo me puxava para os três e acabava me deixando levar por essa atração.
Que Deus nos ajude!!! Sinceramente, não sei o que vou fazer.
(...)
Chiara:
Depois de torrar praticamente toda a grana que ganhei do trio Romano, resolvi retornar a Nova York. Amo viajar, mas não posso dar bobeira e perder os gansos dos ovos de ouro.
Sei que nosso último encontro foi meio difícil, mas nada como uma surra de boceta para deixá-los domados. Ninguém no mundo sabe dar prazer aos três como eu.
Sei que ficaram meio irritados com meu comportamento obsessivo, porém, um mês depois, eles já se acalmaram, com certeza. E nada como uma surpresinha no meio da tarde para excitá-los, nada como uma boa foda no meio do expediente para resolver tudo.
Eu me arrumo e sigo para a Romano Enterprise.

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