Valéria:
O fim de semana passou voando, e a segunda chegou. Era o fim do verão, e as cores das árvores já estavam mudando, ganhando tons avermelhados. Era lindo de se ver. Sinto falta de ter essa vista do Central Park. Meu aniversário e o aniversário da morte dos meus pais seria em alguns dias. Completaria 23 anos em 6 de setembro, e no dia 20 de setembro completariam 5 anos da morte dos meus pais. 5 anos que não comemorava meu aniversário, data que só me trazia dor.
Terminei de me arrumar e recebi uma ligação que me fez paralisar.
— Bom dia, princesa, estou esperando aqui na porta do seu prédio — disse Lucca.
— O quê??? O que Lucca estava fazendo na porta do meu prédio?
— Anda rápido, ou vamos nos atrasar para sua consulta.
Tranquei o apartamento e desci feito uma bala.
— O que pensa que está fazendo às sete da manhã aqui?
— Vim te buscar. Ou acha que deixaríamos você ir sozinha ao médico? Na verdade, à médica, Dra. Helena Carvalho.
— Ok, vamos logo, antes que eu me arrependa.
Entrei no carro bufando. Esses três são loucos, só pode.
Seguimos em silêncio ao nosso destino. Chegando ao consultório, fomos prontamente atendidos. O nome Romano abre portas.
— A doutora Carvalho está aguardando, Sr. Romano — disse a recepcionista.
— Sim, obrigado.
Entramos em um consultório bem elegante.
Olhei na porta e estava escrito: Ginecologista – Dra. Helena Carvalho.
— Dá pra me explicar o que estou fazendo em uma consulta com ginecologista?
Ele me encarou como se não estivesse entendendo nada. A coitada da médica ali, boiando. Não houve tempo nem para as apresentações.
— Doutora Carvalho, é um prazer conhecê-la. Se não se importa, pode me dar uns minutinhos para falar com minha namorada? Ela está um pouco ansiosa.
A médica assentiu e se retirou.
— Que porra é essa, Lucca? — Nessa hora, deixei a princesinha educada de lado.
— Olha a boca, mocinha! Quer levar umas palmadas nessa bunda gostosa?
— Só posso estar sonhando! Você bebeu, por acaso? Quero saber o que estou fazendo no consultório de uma ginecologista! Aliás, os exames de admissão não são feitos no consultório da própria empresa?
Lucca me olhou como se eu tivesse três cabeças.
Nunca em minha vida um trajeto demorou tanto. Chegamos na empresa e pegamos o bendito "elevador". Quando as portas se fecharam, Lucca me tomou em seus braços, dando um beijo apaixonado, como se fosse o último. Me entreguei ao beijo, pois o desejava mais que tudo. No fundo, eu estava com medo do conteúdo do bendito contrato e de ter que me afastar dos três homens que vinham me tirando o sono.
— Me perdoe, princesa. Não resisti ficar a sós assim com você. – Lucca dizia, ainda me beijando. Nessa hora, agradeci o fato de estarmos indo para o último andar.
Nos separamos, arrumei minha roupa toda desalinhada e o olhei nos olhos. Vi paixão, desejo, desespero e medo.
A porta se abriu, e seguimos para o escritório. Cumprimentei a garota que estava na recepção. Lucca, por sua vez, apenas disse que não queriam ser incomodados em hipótese alguma.
Entramos no escritório, e meu coração gelou. Era perigoso estar com os três. Nessa hora, esquecia tudo e me entregava à luxúria.
— Sente-se, Valéria. — Dante mostrou a poltrona vazia. Sentei, sem coragem de encará-los.
— Valéria, Lucca me disse que você não leu todo o contrato. É verdade?
— Não li. Não achei que tivesse informações relevantes ali. Era só um maldito contrato de trabalho. Estava desesperada pelo emprego.
Eles se entreolharam, como se fossem me jogar uma bomba. Dante retirou uma das cópias do contrato e me entregou, aberta nas últimas folhas.
— Leia.
Meu sangue gelou nessa hora. Peguei o contrato já tremendo. O que tivesse ali poderia destruir o que mal começou.

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