Valéria:
Voltar ao trabalho depois do que aconteceu no apartamento dos chefinhos seria difícil.
Conversei com Cami sobre me mudar para o apartamento deles. Estávamos na cozinha tomando café da manhã, estava com saudades dos nossos papos.
— Amiga, você quem sabe, mas deixa suas coisas aqui por enquanto, só por segurança. E se algum daqueles babacas te magoar, vou arrancar as bolas deles!
— Te amo, miga, pode deixar: eu corto o pau e você arranca as bolas. Nem morta deixo aquilo tudo pra outra usar — disse e demos risadas.
— O que a mãe deles colocou no leite pra esses homens serem tão gostosos, né, amiga? Salvatore tá me tirando do sério. Ele quer que eu vá na boate com ele, conhecer o andar privado dos irmãos Romano.
— Sério, amiga? Pois vá, tem tanta coisa boa lá, você nem imagina!
— Você foi?
— Claro que sim, mas quem mandou fui eu. — Caí na risada ao ver a cara dela de espanto.
— Pra uma virgem, você tá bem assanhada.
— Ex-virgem, amiga, porque o selo foi rompido em grande estilo!!!
— Amiga do céu, tu tá desbocada hoje, hein! — Ela até ficou vermelha.
— Vem dizer que você deu pro Salvatore no estilo papai e mamãe?
— Cami engasgou com a água que estava tomando.
— Amiga, o bicho pegou de um jeito que no outro dia eu mal andava. Tô dizendo que esses homens foram batizados no afrodisíaco. Aquilo é uma máquina de sexo. Tô até com dó de você que tem é três!
— Amiga, pra tudo a gente dá um jeito, tem muito playground pra brincar. — Dei uma risada, minha amiga ficou vermelha igual a um pimentão. Tenho trabalho em triplo, porém, prazer triplicado também. Misericórdia, chega deu um calor aqui.
— Vou exigir que devolvam a Valéria delicada. Menina, tu tá com fogo na bunda.
— Na bunda, na boceta e em todo o corpo, amiga. Chega a dar um negócio só de imaginar. Beijo e tchau, deixa eu cuidar da vida porque a semana será corrida!
Despedi-me dela e fui para o quarto me arrumar. Afinal, acima de qualquer coisa eu era a secretária deles e tenho que dar exemplo.
Saí do apartamento e tinha um carro me esperando. Estranhei.
— Senhorita Valéria, meu nome é Marcos. Os senhores Romano me mandaram para buscá-la. — Ele abriu a porta para que eu entrasse e assim o fiz.
Resolvi mandar mensagem no grupo.
Valéria: Bom dia! Por que tem um motorista esperando na porta do meu prédio?
Lucca: Bom dia, meu amor, só queremos que chegue bem!
Valéria: Nunca tive problemas em andar de metrô antes, que essa seja a primeira e última vez!
Valéria: O que os outros funcionários vão dizer ao me ver chegar no carro de vocês?
Dante: Não vão dizer nada, mas vão ter certeza que você é nossa mulher!
Valéria: Tão loucos, não podem saber de nada, vou ficar mal falada em toda a empresa!
Enrico: Tá com vergonha da gente?
Valéria: Claro que não!
Valéria: Mas vou ficar taxada como a amante interesseira! Sei bem como essas coisas funcionam.
Dante: Só pra constar, você não é nossa amante, é nossa mulher, namorada e tudo mais que você quiser.
Lucca: E vamos deixar bem claro para todos.
Enrico: Deixa de marra e bora ser feliz e que se foda o que os outros acham.
Valéria: Mudando de assunto... Senti falta de ser acordada por vocês.
Valéria: Precisava tanto de companhia para o banho.
Dante: Hoje mesmo você se muda para o nosso apartamento, nem que eu tenha que te carregar!
Valéria: Quem sabe depois de um bom orgasmo eu não mude de ideia!
— Ótimo, vou ligar pra Cami pra gente marcar, depois te aviso. Você sabe de alguém querendo dividir apartamento? Vou me mudar e não quero deixar a Cami na mão com as despesas.
— Eu tô precisando, será que ela aceitaria dividir comigo?
— Claro, vou ligar pra ela e combinar.
Me despedi e ela saiu no seu andar, eu subi para o andar dos chefinhos.
Estava cheia de relatórios para fazer, acompanhei meus chefinhos nas reuniões, o dia foi terrivelmente corrido. Ainda tinha a viagem a Moscou, a The Lux Fetiches de lá passava por ampliações e Enrico iria dessa vez. Seria uma viagem de no máximo uma semana.
Ainda bem que era quinta. O fim de semana estava chegando, estava a fim de descansar!
O telefone passou o dia tocando e, na maioria das vezes, não falava nada... E mais uma vez tocou.
— Alô!
— Boa tarde, gostaria de falar com meu marido! — Fiquei sem entender, só podia ser engano.
— Qual o nome dele?
— Enrico. Pode ser rápida? Tô com pressa, ficamos de nos encontrar daqui a pouco. Ele odeia que eu ligue aí, mas não tive escolha. Não consigo falar com ele pelo celular.
Engoli em seco. Que merda anda acontecendo?
— Só um instante, vou passar a ligação.
— Oi, meu amor. — Enrico atendeu na mesma hora.
— Ligação pra você!
— Quem é?
— Sua esposa!
— Que eu saiba, minha mulher é você e já estamos conversando! — Um sorriso se formou em meus lábios.
— Vou passar a ligação e você resolve.

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