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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 127

Laís

Fechei a porta do escritório dele com um clique suave, quase reverente, como se o som pudesse anunciar que, ali dentro, as regras do mundo lá fora não valiam mais. Respirei fundo, sentindo o ar fresco do ar-condicionado misturado ao cheiro dele, aquele perfume amadeirado que grudava na minha pele desde a noite anterior e que eu já não conseguia separar do meu próprio corpo. Atravessei o espaço até a mesa dele devagar, folheando a pasta que trazia nas mãos só para ter o que fazer com os dedos inquietos.

“Eu liguei para a Branca”, avisei, voz baixa, quase confidencial. “Já contei sobre o divórcio. Ela… chorou de alívio. Foi lindo.”

André ergueu o olhar da tela do computador.

O sorriso que surgiu foi lento, preguiçoso, mas não era exatamente felicidade o que iluminava os olhos dele. Era algo mais perigoso. Mais atento. Os olhos verdes escuros ficaram colados em mim de um jeito que não tinha nada a ver com a conversa sobre a irmã. Era como se ele estivesse me despindo camada por camada sem nem precisar tocar.

Ele estava sentado na cadeira enorme de couro, impecável como sempre: terno cinza-escuro ajustado nos ombros largos, gravata frouxa só o suficiente para revelar a pele do pescoço, postura de quem manda no ambiente sem precisar levantar a voz. Poderoso. Intocável.

Mas o jeito indecente como ele me olhava… aquilo desmontava qualquer formalidade. Nem parecia que, poucas horas antes, ele tinha saído da minha casa de manhã cedo. Nem parecia que, antes disso, ele tinha me amado duas vezes contra a parede do quarto, uma delas com uma urgência quase bruta, a outra lenta, torturante, como se quisesse gravar cada centímetro meu na memória.

Apertei a pasta contra o peito, sentindo o coração martelar ali embaixo.

“Você é insaciável”, murmurei, quase sem mexer os lábios.

Ele piscou algumas vezes, como se voltasse de um pensamento muito mais sujo do que a conversa permitia. O canto da boca subiu.

“De você?”, respondeu, inclinando levemente a cabeça. “Sou mesmo.”

A voz dele baixou um tom, rouca, como se estivesse falando só para a minha pele.

“Estou louco pra te jogar nessa mesa agora. Dobrar você sobre os papéis, levantar essa saia e…”

Meu corpo reagiu antes da cabeça. Um calor líquido desceu pela barriga, se instalou entre as pernas. Cobri o rosto com a pasta, fingindo indignação, enquanto esfregava uma coxa na outra sob a saia lápis, tentando apagar, ou piorar a chama que subia sem pedir licença.

Respirei fundo. Abaixei a pasta.

“Eu falei que isso só vai dar certo se mantivermos o profissionalismo, senhor Bayron.”

Ele sorriu com aquele meio sorriso torto que sempre me deixava em perigo. Recostou-se na cadeira, avaliando-me como se eu fosse um caso complexo que ele pretendia estudar por horas.

“É difícil, senhora Bayron”, retrucou, enfatizando o sobrenome como se fosse uma carícia obscena. “Quando o que eu mais quero é ficar com você. Dentro de você. De novo. E de novo.”

O ar entre nós ficou denso, elétrico. Eu podia sentir o pulso acelerado na base da garganta.

Caminhei até a mesa e coloquei a pasta diante dele, inclinando-me só o suficiente para que o decote da blusa se abrisse um pouco mais do que o profissionalmente aceitável.

“Eu puxei as informações sobre o nosso casamento.”

Ele arqueou uma sobrancelha, sem desviar o olhar do meu.

“E?”

“A capela é legalizada. A documentação está regular. O casamento é válido.”

O silêncio que se seguiu foi diferente. Mais denso. Mais quente.

“Então vamos ter que entrar com a anulação”, completei, tentando manter a voz firme.

Ele pegou a pasta. E a colocou de lado.

Como se não tivesse importância nenhuma.

A mão dele deslizou até a minha esquerda. Segurou meus dedos com firmeza, mas sem força. Levantou minha mão devagar. Beijou a aliança.

Devagar.

Lábios quentes contra o metal frio. Depois contra a pele do dedo. Depois contra a palma da mão. A língua dele roçou de leve na linha da vida, e eu senti um arrepio subir pela espinha inteira.

Ergueu os olhos para mim. Escuros. Famintos.

“Eu queria falar com você sobre isso.”

Meu estômago apertou de um jeito bom. Doloroso. Delicioso.

“Eu… acho que não estou pronto para me divorciar de você.”

Eu arregalei os olhos. E ri, nervosa, incrédula.

“O que é meu… é só meu.”

Os olhos dele flamejaram.

Ele puxou minha cintura de leve, aproximando-me mais da mesa. A borda de madeira pressionou contra minha barriga.

“Isso vale para mim também.” Então se levantou e deu a volta na mesa, tirando aquele obstacúlo entre nós.

E me beijou. Não foi urgente. Foi possessivo. Calmo. Lento.

Como se estivéssemos selando um acordo que nenhum contrato conseguiria explicar. A língua dele encontrou a minha com uma paciência torturante, explorando, reivindicando, marcando território. Uma das mãos dele subiu pelas minhas costas, dedos enfiando-se no meu cabelo, puxando de leve para inclinar minha cabeça exatamente como ele queria. A outra mão apertou minha cintura, me mantendo colada a dele, como se temesse que eu evaporasse.

Quando nos afastamos, estávamos os dois respirando pesado.

“Você vai me matar assim”, murmurei contra a boca dele.

“Então morra comigo”, ele respondeu, mordendo de leve meu lábio inferior. “Porque eu não pretendo parar.”

Eu ri baixo, rouca.

“Então não para.”

Ele me beijou de novo.

E, dessa vez, o beijo prometia que a mesa ou qualquer outra superfície, não ia ficar intacta por muito mais tempo.

Mas, por enquanto…

Por enquanto, estávamos só testando.

Só descobrindo.

Só nos pertencendo.

E isso já era o suficiente para incendiar o escritório inteiro.

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