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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 145

André

"...já fomos casados."

O ar do quarto congela.

Laís não pisca. Não respira. Só me fuzila com os olhos, um olhar que queima mais que ácido.

"Você tá de sacanagem comigo, André."

A voz dela sai baixa, perigosa. Como se estivesse contando até dez antes de explodir.

Engulo em seco. "Não."

Ela dá um passo pra trás. Depois outro. Como se meu corpo inteiro tivesse virado veneno.

"Eu te avisei." A voz treme de raiva contida. "Eu te avisei mil vezes que eu era ciumenta pra caralho. Que eu não aguentava joguinho."

"Laís..."

"CALA A BOCA!" Ela grita de uma vez. O som ricocheteia nas paredes.

As mãos dela voam para o rosto, o escondendo, tentando recuperar uma calma que não existe. "Você podia ter me contado. Podia. Ter. Me. Contado."

Cada palavra é um tapa.

"Mas não. Você deixou eu me enfiar nessa merda toda achando que era especial. Que era a única." ela me encara e eu vejo além de fúria, dor. E aquilo me destroça.

"Não foi por isso..."

"FOI SIM!" Ela avança dois passos rápidos. O dedo em riste quase encosta no meu peito. "Você me fez de idiota. De palhaça. Enquanto a vadia da promotoria desfilava na sua vida e eu achava que era só 'amiga do passado'."

Meu coração martela tão forte que dói o peito.

Ela solta uma risada seca, cortante. "Eu senti, André. Senti naquele dia na sua sala. Quando perguntei de vocês dois. Você desviou o olhar. Mentiu na minha cara."

"Eu não menti completamente..."

"Ah, não mentiu COMPLETAMENTE?" Ela abre os braços, sarcástica. "Então me explica que tipo de 'amizade' inclui aliança no dedo, assinatura no cartório e foda na lua de mel!"

Passo a mão na nuca, o suor frio escorrendo.

"Esse casamento foi um erro. A gente era jovem, estávamos apaixonados. Eu achei que ela..."

"Sabe você deveria ir em um terapeuta. É recorrente seu modo de casar. É sempre sem pensar." aquilo doeu. Por que quando foi com a Emily, eu sabia o que queria. Com ela não, mas diferente da Emily, que eu não via a hora de me livrar, eu estava apavorado com medo de perder a Laís.

"Para de agir assim, eu estou tentando te explicar, mas você não deixa, porra. Laís eu..."

Ela solta o ar com nojo. "Parabéns. Você é um excelente ator. Eu que achei que era burra por ter medo de me envolver com você. Um homem tão perfeito, tão correto. Eu achei que meus gatilhos do passado estavam me sabotando. Mas olha só, não estavam."

Ela para na minha frente. Tão perto que sinto o calor da raiva saindo dela.

"Acabou."

Meu estômago despenca.

"Como é?"

"Acabou." Ela cruza os braços com tanta força que os bíceps tremem. "Não tem mais esse casamento de Vegas. Não tem mais nós. Não tem mais porra nenhuma."

Ela aponta pra porta com o queixo. "Vou pegar minhas coisas e voltar pra casa. E hoje mesmo eu dou entrada na anulação."

O sangue some do meu rosto.

"Você não vai fazer isso."

"Vou sim..."

"Eu não assino."

Ela inclina a cabeça, devagar. Perigosa.

"Você não decide isso sozinho, seu filho da puta."

"Eu não sabia como contar." Minha voz sai rouca e alta Como se meu autocontrole estivesse fugindo de mim. "Eu tenho vergonha dessa parte da minha vida."

"Vergonha?" Ela ri alto, amarga. "Vergonha de ter casado com ela ou vergonha de ter mentido pra mim?"

"Dos dois."

Silêncio cortante.

"Emily foi um erro. Uma fase idiota que eu enterrei."

"Me solta."

"Não enquanto você não parar de falar merda."

Ela empurra meu peito com os dois braços. Com força.

Cambaleio um passo pra trás.

"Você não manda em mim mais. Acabou a palhaçada."

Dou um passo à frente de novo. Ela recua até bater na cômoda.

"Eu errei. Eu sei." Minha voz sai baixa, rouca. "Mas quero você, Laís. É você que eu quero na minha cama, na minha vida, na minha porra de futuro."

Ela ri sem humor, os olhos marejados.

"Você teve todas as oportunidades para me contar o que estava acontecendo. Até a idiota já percebeu que você é mais importante para mim do que o contrário."

"Não fala isso. É mentira. Ela só percebeu porque eu deixei que ela visse que eu estou inteiro. Eu não quero que a gente se afaste."

Nós encaramos por vários segundos, testando, esperando que realmente algo fosse real, e sustentasse esse terremoto que tinha passado por nossas vidas.

Então, num impulso, agarro a nuca dela e puxo seu rosto pro meu. Beijo com força. Raiva. Desespero. Tudo junto.

Ela resiste dois segundos. Depois, morde meu lábio inferior com raiva. Sinto a dor do corte, mas não o gosto de sangue.

Empurro ela contra a cômoda de novo. Ela agarra minha camisa e puxa com força, rasgando dois botões.

"Eu te odeio agora," ela murmura contra minha boca.

"Eu sei."

Outro beijo. Mais violentos, os dois tentando provar seus pontos, tentando mostrar que estava ali por inteiro.

Ela me empurra de novo. Dessa vez com mais força. Caio sentado na cama.

Ela fica de pé na minha frente, ofegante. Cabelo bagunçado. Olhos brilhando de lágrimas e fúria.

"Se você quer mesmo consertar isso..." A voz dela sai tremida, mas firme. "...me deixa colocar essa vadia no lugar dela. Na frente de todo mundo. Sem piedade."

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