Laís
Eu mal tinha colocado um pé dentro do escritório quando ouvi a gritaria.
A voz ecoava pela recepção inteira. Alta. Afiada. Irritada. Reconheci na mesma hora.
Emily Morrow.
Ela estava parada bem no meio da entrada, gesticulando com raiva enquanto duas das recepcionistas tentavam manter alguma dignidade profissional diante do escândalo.
Os seguranças já estavam ali também.
Ótimo.
Caminho até a recepção com calma, deixando o som dos meus saltos anunciar minha chegada.
"O que está acontecendo aqui?"
Minha voz ecoou acima da dela, que parou de falar e se virou para mim. Os olhos dela se estreitam quando me reconhece.
Ódio puro.
"Finalmente alguém que manda nesse lugar." Ela aponta para as recepcionistas. "Essas inúteis chamaram os seguranças para mim e estão se recusando a me deixar entrar."
Eu olho para as meninas. Elas parecem mortificadas. Sorrio para elas com tranquilidade.
"Vocês fizeram exatamente o que deviam."
Volto minha atenção para Emily.
"O senhor Bayron não a quer aqui. Por favor, vá embora."
A expressão dela endurece.
"Sua entrada está proibida." O silêncio cai na recepção. Emily pisca uma vez.
Depois se aproxima de mim lentamente. Cada passo carregado de arrogância.
"Isso é algum tipo de piada?"
Eu cruzo os braços, erguendo a sobrancelha no processo.
"Eu pareço estar brincando, senhora Morrow?"
O maxilar dela trava.
"Vá avisar o André que eu estou aqui." Ela inclina a cabeça, como se estivesse falando com uma funcionária qualquer. "Ele nunca fecharia a porta para a esposa dele."
Eu solto uma risada curta.
Não consigo evitar. Isso só a deixa mais irritada.
"Você quis dizer ex-esposa, não é?"
Os olhos dela praticamente me atravessam. As recepcionistas olham de uma paa outra como um jogo de ping pong;
Por um segundo acho que ela vai me bater.
"Por pouco tempo." A voz dela sai baixa. Fria. "Estamos resolvendo algumas coisas." Ela dá mais um passo na minha direção.
Perto demais.
"E logo vamos voltar."
O sorriso dela é venenoso.
Agora somos nós duas invadindo o espaço uma da outra.
"Não é."
Emily me encara como se estivesse tentando me rasgar com os olhos.
"Você está blefando."
"Estou?"
Inclino a cabeça.
"Eu só tenho uma coisa a dizer para você, fique longe dele e do pessoal do escritório. Ou abriremos uma queixa contra você por importunação. Não acho que queira manchar seu valioso currículo, correndo atrás de um homem que não quer você e que já seguiu com a vida."
"Eu só vou acreditar quando ouvir isso dele. Da boca dele. Vá chamá-lo agora!" Pouso minha mão no balcão e me viro para a recepcionista.
"Chame a polícia. Diga que ela se recusa a sair." os olhos dela se arregalam e ela segura meu braço com força.
"Quem você pensa que é, sua merdinha? Eu vou destruir sua carreira. Destruir tudo que você tem... você arranjou uma inimiga que não tolera..." mas não deixei ela terminar, agarrei-a pelos cabelos e colei seu rosto no balcão, pegando-a desprevenida e me aproximei, sussurrando em seu ouvido.
"Eu já disse para o André que a esposa dele é louca, e que odeia galinhas oferecidas ciscando no meu território. Então, é um conselho que te dou. Fica longe de nós, se não quiser aparecer na próxima audiência com a cara toda marcada." a solto, empurrando mais um pouco o rosto dela no balcão, e ela se afasta cambaleante, me olhando como se fosse a primeira vez.
"Você... você é..."
"Demorou para entender, né. Por que acha que eu o represento em eventos." Cruzei meus braços. "Você tem 5 segundos para sumir daqui, depois disso, pode chamar a polícia."
Volto a andar e passo pelos seguranças que abrem caminho para mim e escuto:
"Você vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho." Sorrio e me viro para ela.
"Te digo mesmo. Você acabou de encontrar seu pior pesadelo."

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