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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 2

Branca Oliveira

O táxi mal parou e eu já estava correndo.

Eu não sentia minhas pernas, nem ouvi minha respiração. Só o nome deles gritando dentro da minha cabeça.

"Onde eles estão? Minha mãe e meu filho... por favor, onde eles estão?"

Marina, a enfermeira que tinha ligado, me puxou para dentro. Os olhos dela já estavam cheios d'água. Aquilo me destruiu antes mesmo da resposta.

"Branca..." Ela respirou fundo e eu entendi.

"Sua mãe... não resistiu ao impacto. Fizemos tudo que era possível, mas infelizmente não foi o suficiente. Eu sinto muito, querida."

Meu corpo falhou. Parecia que eu estava flutuando longe do meu próprio corpo.

"Não... não... ela dirige devagar... ela..." As palavras travavam na minha garganta.

"Eu sei." Ela tentou me abraçar, mas eu recuei, naquele momento eu não queria ser tocada por ninguém, a não ser por minha mãe e meu filho.

"E onde está o meu filho. Me leve até ele. Ele deve estar assustado."

"Branca, é uma situação delicada. Eu preciso que você se prepare, está bem?"

"Me preparar? Por quê? O que aconteceu com ele?" segurei os braços da enfermeira com força. "Me fala de uma vez!" minha voz se alterou.

"Ele está na UTI." Nada me preparou para isso e cai no chão.

Marina se abaixou e me segurou pelos ombros. "Vem, eu vou te levar até ele." Acompanhei a enfermeira até a UTI pediátrica como se tudo aquilo fosse um pesadelo.

Quando entrei no quarto, meu mundo quebrou de vez.

Pedro estava tão pequeno naquela cama enorme. Tão frágil, tão imóvel, rodeado de tubos e máquinas apitando.

"Pedro... mamãe tá aqui, meu amor..." Corri até ele, pegando sua mãozinha enfaixada.

Toquei seu rosto, beijei sua testa quente, tentando não encostar no curativo que cobria metade da cabeça dele.

A médica entrou pouco depois de nós, e pelo seu semblante eu já tive todas as minhas respostas.

"Branca, vou te passar o que aconteceu com ele. Pedro estava do lado que o carro foi atingido. O impacto foi muito forte. Ele chegou com um coágulo extenso e pressão intracraniana muito elevada. Fizemos tudo que podíamos... mas talvez não seja suficiente."

Meu coração parou.

"Não fala isso. Ele vai acordar. Ele precisa acordar. Não é meu amor? Você vai acordar, não vai?" comecei a chorar novamente.

"Vamos repetir os exames neurológicos daqui a algumas horas, para confirmar a atividade cerebral." concordei com a cabeça, sem nem mesmo me virar para vê-la sair do quarto.

Eu fiquei com ele o tempo todo, segurando sua mão, cantando baixinho, contando as histórias que ele amava. Tentando chamar meu filho de volta para mim e rezando por um milagre. Qualquer um.

Quando a médica retornou, ela trouxe mais um colega com ela, e aquilo fez meu coração disparar.

2. Eu assino 1

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