Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 200

Cássio

Eu ainda estou tentando entender o que acabou de acontecer.

Mesmo com o médico falando, explicando, mostrando, apontando cada detalhe na tela como se aquilo fosse rotina… para mim não é.

Branca ainda está deitada na maca, se ajeitando com cuidado depois do exame, e eu continuo ali, ao lado, sem conseguir tirar os olhos dela. Como se, de alguma forma, olhar fosse a única coisa que me mantém ancorado na realidade.

Grávida.

A palavra ecoa na minha cabeça de um jeito estranho. Eu e ela traríamos outra vida ao mundo mais cedo do que planejávamos.

Minha mulher já estava grávida Minha filha teria uma irmãzinha em 6 meses.

Isso era surreal.

Eu passo a mão no rosto devagar, soltando o ar que nem percebi que estava prendendo. Ainda sinto o som daquele coração batendo dentro de mim, como se tivesse ficado gravado em algum lugar que eu não consigo alcançar.

"Eu vou prescrever algumas vitaminas e pedir alguns exames complementares", o médico continua, a voz técnica contrastando com o caos que está acontecendo aqui dentro. "E, por conta do DIU deslocado, vou pedir que tenham um pouco de cuidado, pois não vai ser possível retirá-lo."

Eu assinto automaticamente, mesmo sabendo que não estou absorvendo metade do que ele diz.

Minha atenção volta para Branca quando ela me olha.

E naquele olhar… eu vejo tudo. O amor que ela já sente, o medo de tudo dar errado. A esperança de trazer continuidade e definir a nossa relação.

Sim, nossa bebê definia completamente a nossa família Ela não teria mais por que se afastar. Não teria mais por que pensar em fugir e entenderia que não havia mais por que eu não fazer tudo que estivesse ao meu alcance para manter as mulheres da minha vida, bem.

Eu me aproximo, ajudando-a a se sentar com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar aquele momento.

"Tá tudo bem?" pergunto, baixo.

Ela respira fundo antes de responder.

"Eu acho que sim… eu só… ainda estou em choque..."

Eu deixo escapar um riso curto, completamente rendido.

"Eu também."

Mas, de alguma forma, isso não assusta como deveria.

"Aqui está tudo que vão precisar. Meu telefone de contato está aqui. Qualquer coisa, é só me ligarem." concordo e Branca se levanta ainda apoiada em mim. Segurando forte meus dedos, para ter certeza que isso é real.

A puxo para um abraço, apertado, que nós dois precisavamos e sim, agora tudo ficou mais real.

Saímos da clínica ainda meio em silêncio, como se qualquer palavra pudesse desmontar aquilo que acabou de acontecer.

O sol lá fora parece mais forte do que deveria. Ou talvez seja só a sensação de que tudo ficou mais intenso.

Eu abro a porta do carro para ela, esperando até que esteja confortável antes de dar a volta e entrar.

Fico alguns segundos com as mãos no volante, sem ligar o carro.

"Três meses…" falo, mais para mim do que para ela.

Balanço a cabeça devagar.

"Você já estava grávida e a gente nem fazia ideia."

Ela solta um riso leve, ainda incrédulo.

"A gente tava tentando… mas ela já estava aqui." ela acaricia a barriga e cubro sua mão, sentindo um amor indescritível.

Ela. A palavra encaixa tão fácil que me pega desprevenido.

Eu olho para ela.

"Uma garotinha."

Branca sorri, e dessa vez não tem dúvida no olhar.

"É."

Eu solto o ar, passando a mão pelo volante, após soltar a dela.

"Eu vou precisar de um tempo pra processar isso. Nasci para ser pai de menina." ela gargalha, e é tão lindo de ver.

"As mulheres Ravellis. O mundo que se prepare.", ela responde.

E, pela primeira vez desde que saímos da sala… a gente ri de verdade.

"Ela vai amar."

"Vai mesmo."

Vamos até o caixa e questiono se eles têm balões para revelação, e eles têm.

Peço para encher 10, todos escritos "promovida a irmã mais velha", e saímos da loja, rindo como bobos.

Quando chegamos em casa, nem precisamos falar nada, já corremos para o quarto da Aelyn para arrumar tudo antes que ela chegue da escola.

Colocamos os balões espalhados pelo quarto, e a blusa aberta sobre a cama dela, e a roupinha da bebê do lado. Os olhos de Branca estão marejados e a puxo pelos ombros, beijando seus cabelos.

"Nossa família está crescendo."

"Eu nem acredito nisso."

Saímos do quarto e descemos, nos sentando nos primeiros degraus da escada e olhando para a porta, contando os segundos para a Aelyn chegar.

E quando finalmente escuto o som da porta… meu coração dispara.

"Cheguei!" Ela grita, mas se assusta assim que nos vê ali, e sai correndo em nossa direção. "Por que estão aqui? Aconteceu alguma coisa?" ela fala como se já imaginasse.

"Nós temos uma surpresa pra você, querida." falo e ela me encara.

"O que é?" Eu estendo a mão.

"Vem ver."

Nós três subimos as escadas e ela está tão empolgada quanto nós. Assim que abro a porta, ela olha tudo sem entender nada.

"Uma festa no meu quarto?" Ela fala olhando os balões de gás hélio no teto, e caminha até a cama e diz, "O que está escrito aqui, papai?"

Olho para ela emocionado e digo.

"Promovida a irmã mais velha." os olhos dela se arregalam e ela percebe que todos os balões estão com as mesmas palavras e então grita.

"AHHHHHHHHHH, A SERENA CHEGOU!" E me abraça.

Fico estático, porque ainda não tínhamos pensado em nomes, mas aquele pareceu tão perfeito para o momento e quando olho para a Branca, tenho a sensação de que ela sentiu a mesma coisa.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz