Branca
Eu não estava dormindo.
Fiquei quieta, respirando devagar, os olhos fechados, mas o corpo inteiro acordado. A mente não parava de girar, voltava para as imagens, para as palavras, para o calor que ainda pulsava sob a pele. Mesmo assim, eu não conseguia desligar.
Cássio estava colado em mim, o corpo grande e quente moldado contra o meu. O braço dele envolvia minha cintura com possessividade tranquila, o rosto enterrado no meu pescoço, e sua respiração roçava minha pele em um ritmo lento, profundo… deliberado. Controlado demais para ser sono.
Ele também estava acordado.
Deixei o silêncio se estender por mais alguns segundos, sentindo cada ponto onde nossos corpos se tocavam. Então me virei devagar, o lençol deslizando pela pele. No escuro, nossos olhos se encontraram imediatamente.
Nenhum dos dois precisou dizer que estava acordado. A verdade estava ali, suspensa no ar quente entre nós.
"Promete não mentir pra mim", sussurrei, a voz baixa e um pouco rouca.
Ele franziu o cenho de leve, mas não se afastou. Pelo contrário, o polegar dele já traçava um caminho lento pela minha cintura, subindo pela curva das costelas.
"Você deveria estar dormindo, Branca…"
"Você também." Meu sorriso foi suave, quase tímido. "De verdade, Cássio. Me promete."
Ele me encarou por um longo momento, aquele olhar intenso que sempre parecia ver através de mim. A mão dele subiu até meu rosto, os dedos deslizando com uma lentidão torturante pela minha bochecha, pelo maxilar, até o polegar roçar meu lábio inferior.
"Eu não vou te esconder o que realmente importa", disse por fim, a voz grave e baixa, vibrando contra minha pele. "Sobre o Jonathan, sobre a Emily… sobre tudo que eu descobrir. Isso eu prometo."
Não era a promessa completa que eu queria, mas era dele. Honesta. Pesada. Real.
"Tá bom", murmurei.
Ele inclinou a cabeça, os olhos semicerrados.
"Tá bom de verdade… ou tá bom porque você vai aceitar por enquanto?"
Eu ri baixinho, o som morrendo entre nós quando ele sorriu, aquele sorriso lento, de canto, carregado de desejo contido.
"As duas coisas", confessei, a voz quase sumindo.
Ele não respondeu com palavras.
Em vez disso, inclinou-se e me beijou.
Foi um beijo lento, profundo, quase reverente. Seus lábios eram quentes, macios, e ele saboreava cada segundo como se tivesse todo o tempo do mundo. Minha mão subiu até seu rosto, sentindo a barba rala arranhar de leve minha palma, enquanto a dele deslizava pela minha cintura, puxando meu corpo mais contra o dele com uma firmeza que fez meu coração acelerar.
O beijo se aprofundou aos poucos. A língua dele roçou a minha com uma sensualidade preguiçosa, arrancando um suspiro baixo de mim. Senti suas mãos descerem pelas minhas costas, traçando a curva da espinha, descendo até o quadril, apertando de leve como se quisesse me lembrar que eu era dele.
Quando nos separamos por um instante, nossas testas ficaram encostadas, as respirações misturadas, quentes e irregulares.
"Assim…" ele murmurou, a voz carregada de desejo contido. "Deixa eu te ouvir, meu amor."
Cada movimento era preguiçoso, gostoso, cheio de intenção. Ele não tinha pressa. Beijava minha boca, meu pescoço, descia até o vale entre os seios (agora mais sensíveis por causa da gravidez), lambendo e chupando com cuidado, prestando atenção em cada suspiro e tremor meu. As mãos dele nunca paravam de me acariciar, uma segurando minha nuca com carinho, a outra trabalhando entre minhas pernas com uma habilidade que me deixava sem fôlego.
Quando entrei naquele ritmo gostoso, quase flutuando, ele tirou a própria roupa com movimentos calmos e voltou para mim, encaixando-se entre minhas pernas com extremo cuidado. Entrou devagar, centímetro por centímetro, os olhos fixos nos meus o tempo todo, observando cada expressão no meu rosto.
"Tudo bem?" perguntou baixinho, a voz entrecortada, parando para me dar tempo de me acostumar.
"Sim…" sussurrei, puxando-o para mais perto. "Não para…"
Ele começou a se mover então, em um ritmo lento, profundo e delicioso. Cada estocada era cuidadosa, controlada, mas carregada de tanto desejo que eu sentia como se ele estivesse me venerando.Uma de suas mãos permaneceu ao lado da minha cabeça, apoiando todo o seu peso, enquanto a outra segurava meu quadril com firmeza suave.
Nossos gemidos se misturavam baixinho no quarto escuro. Beijos molhados, respirações ofegantes, o som sutil da pele contra pele. Ele sussurrava meu nome entre beijos, dizia o quanto me amava, o quanto eu era linda carregando nossa filha, o quanto eu era dele.
O prazer veio devagar, crescendo como uma onda quente e longa. Quando gozei, foi intenso e doce ao mesmo tempo, meu corpo tremendo contra o dele enquanto ele me segurava firme, mas com todo o cuidado do mundo. Pouco depois, ele me seguiu, enterrando o rosto no meu pescoço, gemendo meu nome contra minha pele úmida enquanto se derramava dentro de mim.
Ficamos assim por um longo tempo, conectados, respirando juntos. Ele não saiu de dentro de mim imediatamente. Em vez disso, beijou minha testa, minha bochecha, meus lábios inchados, a mão ainda acariciando minha barriga com devoção.
"Eu te amo… " murmurou, a voz rouca e cheia de emoção.
Eu sorri, exausta e feliz, passando os dedos pelos cabelos dele.
O mundo lá fora tinha desaparecido por completo. E só existia nós.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz