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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 332

Felipe

Três semanas.

Três semanas desde que Aelyn apareceu na minha sala com aquela foto da ultrassom e virou meu mundo de cabeça para baixo. Três semanas de consultas especializadas, de medo, de esperança, de noites acordado pesquisando tudo que podia sobre gravidez em transplantadas cardíacas.

E, contra todas as estatísticas ruins que eu tinha lido, as coisas estavam indo bem.

O cardiologista especializado que o Dr. Martins indicou, Dra. Helena Vargas, era extremamente competente. Ela montou uma equipe com obstetra de alto risco, enfermeiros especializados e monitoramento semanal. Os exames até agora eram animadores. Nenhum sinal de rejeição, o coração da Aelyn respondendo bem, o bebê crescendo dentro do esperado. Pela primeira vez desde a descoberta, eu conseguia respirar um pouco mais aliviado.

Por isso, hoje eu tinha marcado um jantar na casa dos meus pais. Todos achavam que era só para anunciar o noivado. Na verdade, Aelyn e eu resolvemos contar tudo de uma vez: o casamento e a gravidez, com um pequeno chá revelação no final. Eu mal conseguia conter a ansiedade e a felicidade.

Ela tinha planejado cada detalhe desde o dia em que fez o exame de sexagem fetal. Ela queria que fosse perfeito, e eu também.

Depois do anúncio, ela iria se mudar de vez para o apartamento, e começaríamos a comprar as coisas para o quartinho do nosso bebê.

Parecia um sonho. Nunca pensei que pudesse ser tão feliz em toda a minha vida.

Terminei de responder o último e-mail do dia e olhei o relógio. Já estava na hora de sair. Queria passar em casa, tomar um banho e buscar Aelyn para chegarmos juntos. Além de que ela queria passar em uma loja de artigos de bebês para comprar uma lembrancinha para nossos pais.

Uma batida na porta me interrompeu.

"Entre."

Liana entrou, com aquele sorriso excessivamente doce que ela vinha usando cada vez mais nos últimos dias. Trazia uma pasta na mão e um olhar que eu já conhecia bem demais.

"Doutor Felipe, acabei de receber um cliente importante. Ele está na sala de espera. Achei que o senhor poderia atendê-lo rapidinho."

"Eu disse que não iria atender ninguém na parte da tarde."

"Eu sei, mas ele não marcou, só apareceu. Acho que vai querer atender."

Me levantei já pegando meu notebook e colocando-o dentro da mochila, e olhando se eu tinha pegado tudo.

Tentei passar por ela, mas Liana segurou meu braço com as duas mãos. O toque foi mais demorado do que o necessário. Os olhos dela brilhavam com lágrimas que pareciam calculadas.

"Por favor… só dez minutinhos. Eu juro que não vou pedir mais nada. Eu faço o que o senhor quiser depois. Qualquer coisa."

O tom dela era doce demais. O corpo inclinado na minha direção, o jeito como os dedos apertavam meu braço, era claro o que ela estava tentando fazer. Seduzir. Manipular. Usar a posição dela para me pressionar.

Eu puxei o braço com firmeza, mas sem ser grosseiro.

"Chega, Liana. Você não está sendo profissional. Quando eu te dei tal liberdade? Eu já lhe dei minha resposta. Se não quer ficar mal na frente dele, temos ótimos advogados no escritório. Eu vou repetir, porque acho que você é surda. Eu não posso atendê-lo e se me abordar desta forma novamente, vou recomendá-la ao RH."

Por um segundo, vi algo passar no rosto dela, frustração, raiva, talvez até humilhação. Mas ela rapidamente recompôs o sorriso.

"Desculpe, doutor. Eu achei que... que fôssemos amigos... mas eu não vou mais me esquecer que sou só uma advogada júnior aqui... Eu só quis ajudar."

Ela saiu da sala, mas o ar ficou pesado. Eu fiquei parado por um momento, passando a mão no rosto com força. Aquela mulher estava se tornando um problema cada vez maior. E o pior era que eu tinha sido burro o suficiente para demorar tanto tempo para perceber.

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