Branca
Eu não soube o que responder.
O silêncio se espalhou pelo quarto como um segredo pesado demais. Olhei para Aelyn dormindo, tão tranquila, e aquilo foi o empurrão que eu precisava para sair dali antes que dissesse algo que não saberia desfazer.
Levantei devagar e caminhei para fora do quarto.
Ouvi os passos dele logo atrás de mim. Firmes. Determinados.
Parei no corredor escuro e me virei.
Nos encaramos por um instante longo demais para ser seguro. O tipo de silêncio que vibra, que aperta o peito, que implora por um toque.
Ele se aproximou devagar, os olhos fixos nos meus, como se já soubesse exatamente o que eu estava lutando para não admitir.
"Sério que você não pensa no que a gente fez naquela noite?" A voz saiu baixa, rouca, quase um ronronar que arrepiou minha nuca.
Encostei as costas na parede fria. Não por fraqueza. Por escolha. Precisava de algo sólido para não desabar ali mesmo.
Ele apoiou um braço de cada lado do meu corpo, me cercando sem me tocar ainda. O calor dele me envolveu antes mesmo da pele encostar na minha. Meu coração disparou tão forte que eu juro que ele ouviu.
Por fora, eu tentava me manter firme. Por dentro, um incêndio avançava por meu corpo.
"De que adianta pensar?" respondi, a voz saindo mais fraca do que eu queria.
Ele sorriu de lado, aquele sorriso perigoso, lento, que prometia problemas.
"Eu estou bem aqui na sua frente", murmurou, inclinando o rosto até o nariz roçar de leve no meu. "Se você quiser… reviver."
O cheiro dele invadiu tudo: sabonete masculino misturado com algo quente, natural, que me fazia lembrar daquela noite. Meu estômago revirou de desejo.
Eu mordi de volta o lábio dele, um gemido escapando quando ele apertou de leve, o polegar roçando o mamilo por cima do tecido. O prazer foi direto pro meio das minhas pernas, quente e insistente.
Quando percebi, já não estávamos mais no corredor.
Ele me guiou sem quebrar o beijo, as mãos firmes na minha cintura, me empurrando de costas pela sala. Cada passo era um risco calculado, um "e se a Aelyn acordar?". Mas nada importava além da boca dele na minha, da respiração pesada dele misturada com a minha, do jeito que ele me pressionava contra a parede da sala, depois contra a mesa de jantar.
Ele me ergueu de leve, sentando-me na borda da mesa. Minhas pernas se abriram instintivamente, e ele se encaixou entre elas, o volume da calça roçando exatamente onde eu mais precisava. Um gemido abafado escapou dos dois ao mesmo tempo.
As mãos dele subiram pelas minhas coxas, apertando, subindo a saia devagar. Os dedos roçaram a renda da calcinha, e eu tremi inteira.
Perdidos um no outro.
E, naquele instante, eu parei de fingir que não queria.
Mesmo sabendo que, depois, tudo seria ainda mais complicado.

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