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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 51

Branca

Eu estava estranhamente calma.

Não calma de verdade, aquela calma falsa que vem antes de uma tempestade. Por dentro, algo vibrava, atento, esperando o momento exato em que ele iria agir. Cássio não era do tipo que deixava passar. Nunca foi. E eu sabia que aquele sorriso controlado que ele usava agora era só a tampa de algo muito mais intenso.

Levantei do sofá com naturalidade ensaiada.

"Senhor Ravelli", falei, chamando sua atenção antes que ele explodisse em silêncio. "Essa é a Laís, minha amiga."

Laís sorriu, simpática, completamente alheia ao campo minado emocional que estava montado ali.

"A gente tinha combinado de ir ao cinema", continuei, tranquila demais para quem estava testando a paciência de um juiz acostumado a mandar em tudo. "Mas como não deu certo, chamei ela pra assistir o filme com a gente."

Cássio largou as sacolas no sofá.

O som foi seco. Definitivo.

"Não tem problema algum", ele respondeu.

A voz estava perfeitamente controlada. Educada. Mas eu conhecia aquele tom. Por baixo da calma, havia algo fervendo. Algo que queria respostas. Algo que queria me arrancar da sala e exigir explicações.

Ele sorriu para a Laís, um sorriso social, treinado.

"Seja bem-vinda, Lais. Fiquem à vontade. Vou só trocar de roupa."

E saiu. Assim. Simples. Contido demais.

Laís soltou o ar como se nada tivesse acontecido.

"Esse seu chefe. Eu já vi ele em algum lugar." Olhei para Aelyn que estava entretida brincando com o urso novo.

"O cara do bar." minha amiga colocou a mão na boca, segurando a água que quase vasou para todo lugar.

"É ele... o cara do bar." ela então começou a gargalhar. "Meu Deus que mundo pequeno."

Sorri de lado.

"Você não faz ideia." Não contei a ela sobre o coração do Pedro dentro da Aelyn. Ela me chamaria de louca, tenho certeza. Eu estava apenas alimentando uma ansia de ainda ter meu pequeno por perto.

Voltamos nossa atenção para a Aelyn, que já estava abrindo as sacolas com empolgação.

"Olha isso, tia Branca! Ele comprou tudo o que eu gosto! Marshmallow!" ela fez uma carinha linda. "Esse chocolate é o melhor! E tem pipoca gourmet! Meu papai pensou em tudo."

O entusiasmo dela preenchia a sala, e por um momento eu quase esqueci da tensão. Quase.

Ajudei a organizar as coisas sobre a mesa, distribuindo potes, copos, comentando com a Laís sobre o filme que ela tinha escolhido. Tudo parecia… normal demais.

Foi quando vi.

A rosa.

A mão dele ainda segurava meu braço, não com força, mas com intenção suficiente para me manter ali. O polegar pressionava de leve a pele, um gesto que não era violento, era possessivo. Consciente.

"Você deixou que eu entendesse que o seu convidado era um homem", continuou, aproximando-se um pouco mais. "Falou isso para mim e pediu para os seguranças dizerem o mesmo."

"Talvez eu quisesse ver se o frio juiz tinha sentimentos", falei, irônica. "E descobri que tem sim, mas são mais obsessivos do que eu imaginava."

"Branca, Branca... Você está brincando com fogo. E não vai gostar quando eu te queimar."

O tom não era agressivo. Era honesto. E isso me desarmou mais do que qualquer grito.

"Você devia ter me falado a verdade", ele completou.

Cruzei os braços, a rosa ainda presa entre meus dedos.

"Eu sei, ultrapassei os limites, mas foi divertido."

Ele estreitou os olhos.

"Divertido vai ser o que eu vou fazer com você mais tarde, sua diabinha." meus olhos se arregalaram e quase gargalhei com suas palavras.

"Então podemos resolver isso depois. Vamos sair logo daqui antes que a Aelyn perceba que nós dois sumimos." ele se aproximou mais um pouco e viu a rosa em minha mão.

"Ah, estou indo colocar em um vaso de água. A Aelyn não percebeu ela junto com o urso. Quando ela ver, vai ficar encantada."

"E você também ficou?"

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