Essas ameaças, depois de tanto ouvi-las, já não me afetavam mais.
Cerrei os punhos, forçando-me a manter a calma.
— Embora eu não seja sua filha biológica, ainda te chamei de mãe por quatro anos...
Antes que eu pudesse terminar, ela me interrompeu com uma voz afiada:
— Fui boa com você porque esperava que cuidasse bem da Gisele. Já que não consegue fazer isso, então nem pense em continuar como esposa do Bruno!
Soltei uma risada suave.
— E quem você quer que ocupe meu lugar? A Maia?
— Ela? Qual é o valor dela? Não passa de uma cadela que a nossa família Henriques criou. — Os olhos de Karina transbordavam desprezo. — Apenas uma ferramenta de barriga de aluguel!
Ontem ela era a filha de uma amiga, e hoje se tornara apenas uma cadela.
Quase me permiti rir dela, mas então pensei: com que direito eu ria de alguém?
Um dia, eu também fui nora querida por Karina, mas agora, seu filho não me amava e ela já não me queria. Eu não passava de uma erva daninha que ninguém queria por perto.
Já conheci Maia. Ela era bonita, sensual, e como muitas pessoas que voltavam do exterior, ela tinha um forte instinto de autopreservação.
— Ela sabe que você a está usando dessa maneira?
— A vida dela pertence à nossa família Henriques. O que tem de errado em usarmos o útero dela uma vez? — Karina falou com indiferença, mostrando todo o desprezo de quem se via acima dos outros.
Sua postura amoleceu um pouco:
— Não me culpe por isso. Você é a culpada por não conseguir ter filhos, por não se concentrar no que importa e preferir sair atrás de um trabalho. Não teve sucesso na carreira e ainda se meteu em problemas.
— Sendo assim, não temos mais o que conversar. Seja eu e Bruno separados ou juntos, isso é algo que nós dois resolveremos, e não você.
Karina soltou uma risada sarcástica.
— Acha que Bruno ainda vai querer te ver?
Ela acenou, e seus seguranças me cercaram.
Não entendi por que Karina falou aquilo, mas parecia que, agora, ela era a única dona da família Henriques.
Os seguranças não foram nada gentis, e praticamente me jogaram na rua.
O motor rugiu quando ela ligou o carro, mas Luz não partiu imediatamente.
Em vez disso, apoiou as mãos no volante, virou a cabeça para me olhar e suspirou.
— Agora que o dinheiro do Grupo Oliveira já entrou na conta, e que o escritório de advocacia está no meu nome, e você ganhou o processo... Não importa por quais motivos, você virou uma celebridade. Você venceu na vida! E então, quais são seus planos? Não importa o que for, estou aqui para te ajudar!
Planos?
Que planos eu poderia ter? Desde que ganhei o processo e percebi que não tinha mais um alvo para a minha vingança, tudo ficou sem rumo. Bruno não só destruiu meus planos, como também virou minha vida de cabeça para baixo.
— Agora que você é a dona do Escritório de Advocacia X, decidi não me demitir. Trabalhar para você me parece uma boa! Só me passe os casos certos, porque quero ganhar dinheiro!
Passei a mão pelo rosto e soltei uma risada forçada. Minha indiferença estava deixando Luz impaciente.
— Ana, o Escritório de Advocacia X vale a minha vida inteira! Se algum dia você precisar de mim, estarei ao seu lado, nem que seja para esfaquear aqueles dois desgraçados!
Sorri, despreocupada.
— Só lembre de planejar bem para que seja considerado legítima defesa antes de esfaquear qualquer um deles. Não quero te perder.
Não contei a ela que agora não se tratava mais de um homem e uma mulher. Eram um homem e duas mulheres. Ela teria que preparar três facas.

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