Zeca ficou ao lado, claramente desconfortável, e encontrou uma desculpa para se afastar. Enquanto observava sua silhueta se distanciar, uma onda de inveja tomou conta de mim. Ah, se eu pudesse simplesmente ir embora também!
Se alguém pudesse me dar uma resposta, eu adoraria saber qual caminho deveria seguir.
Quando disse a Luz que estava disposta a proteger Gisele, senti um vazio profundo crescer dentro de mim.
— Luz, faça como eu pedi. — Levei a mão ao meu ventre, acariciando-o suavemente. — Vou para o exterior repousar e cuidar da gravidez. Preciso me afastar por um tempo.
Luz piscou, atônita, e perguntou, quase por reflexo:
— Tão longe assim?
Assenti com a cabeça.
— Agatha pediu que eu fosse até ela. Disse que seria mais fácil cuidar de mim, e eu realmente preciso respirar novos ares.
Notei um sorriso amargo surgir nos lábios de Luz.
— E você ainda carrega o filho dele. Se fosse eu, nunca partiria assim! — Exclamou, com uma intensidade que quase me surpreendeu. — Ana, você já fez tanto por ele! Engoliu todo o sofrimento sozinha... E ainda o ama, não é? Não se engane! Se fosse eu, eu ficaria. Eu estaria ao lado dele, vendo sua recuperação, aos poucos... Ah, Ana, o amor é algo que entendo bem. Às vezes, não é uma questão de certo ou errado. Mas jamais permitiria que ele me esgotasse ao ponto de sair de cabeça baixa!
Escutei suas palavras apaixonadas com um sorriso tranquilo, como se estivesse ouvindo a história de outra pessoa, não a minha.
Quando decidi partir, senti que havia feito tudo ao meu alcance. Ele não era mais alguém por quem eu sentia apego.
O destino dele agora seria guiado por suas próprias escolhas.
A emoção de Luz transbordava, e ela insistia, fervorosa, que eu deveria lutar por Bruno. Sabia que suas palavras eram ditadas pela intensidade do momento, mas se esse dia realmente chegasse, tinha certeza de que ela ficaria ainda mais aflita do que eu.
— Não o amo mais, mas amei por mais de uma década. Não quero que algo ruim aconteça com ele, só isso. — Lembrei das palavras que Bruno acabara de me dizer e falei calmamente. — Nós nos divorciamos. Ele também não precisa de mim.
...
Bruno voltou para o carro, seu corpo tremendo incontrolavelmente.
As emoções caóticas que o consumiam pareciam transbordar em sintomas físicos, e apenas uma explosão de violência poderia trazer-lhe algum alívio.
Se fosse antes, ele teria cravado, sem hesitar, algum objeto pontiagudo no próprio braço. Mas agora, isso não era mais uma opção.
Ele puxou a manga, revelando os intricados traços de cicatrizes em seu antebraço. Seus olhos brilharam com uma determinação feroz: ele queria ver aquelas feridas cicatrizando, sua pele se regenerando.
A postura firme de Ana naquele dia jamais sairia de sua memória.
Ele era um homem, e se levantaria novamente. Algum dia, faria com que aquela mulher voltasse para ele.
Com esse pensamento nascendo em sua mente, algo despertou em seu corpo, uma sensação há muito esquecida.
Mas Bruno não se enganou. O olhar que ela lhe lançara momentos antes não era o de uma irmã para seu irmão, era o de uma mulher para um homem.
Ao longo de sua vida, Bruno sempre teve uma visão bastante liberal sobre relacionamentos.
Ele nunca julgou uma mulher por não guardar sua primeira experiência sexual para o marido.
Por isso, pouco importava se Gisele havia se envolvido com colegas de escola ou homens mais velhos.
Cada pessoa vivia sua própria vida, cada destino seguia seu curso.
E seu papel, enquanto irmão, sempre fora claro: cuidar dela.
Mas, ao recordar o passado, uma pergunta o atingiu como um golpe: em algum momento, Gisele havia olhado para ele com o mesmo tipo de expressão na frente de Ana? Seria isso o que a levou a interpretar tudo errado?
Não podia ser! Ele precisava esclarecer isso com Ana.
— Pare o carro! — Gritou Bruno.
O motorista freou bruscamente na beira da estrada. Bruno empurrou Gisele para fora do veículo, sua expressão inabalável.
— Siga para o Grupo Oliveira! — Ordenou, sua voz firme.

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