Natália foi correndo buscar a caixa de primeiros socorros:
— Deixe-me passar um remédio nesses machucados, você não pode ficar assim.
Enquanto cuidava dos ferimentos de Tomas, continuou a destilar seu veneno:
— Esse pessoal da família Castilho é realmente cruel e desalmado. E pensar que Allan ainda os considera parentes. Que tipo de parente agride o outro com tamanha brutalidade?
Tomas resmungou:
— Não adianta tentar usar lógica com aqueles bárbaros. Não faço ideia do que passa pela cabeça do Allan para querer se aproximar deles.
— Afinal de contas, é a família Castilho, a família da mãe dele.
— Nesta casa, agora, quem está sobrando sou eu. Nunca imaginei que o respeito que esses meninos demonstravam por mim nos últimos anos fosse tudo fingimento.
— Só porque você me trata bem agora, eles acham ruim.
Tomas suspirou:
— Esqueça os dois. Eles já estão adultos e não dependem mais de mim; que façam o que quiserem. Eu planejava me encontrar com Gonçalo e Talita hoje, mas, com o rosto desse jeito, não tenho como sair de casa. Esse assunto vai ter que esperar alguns dias.
— Não tenha pressa, sua saúde vem em primeiro lugar. A família Gattas não vai fugir para lugar nenhum, vai?
De fato, eles não fugiriam. Contudo, Tomas estava muito inseguro. Não sabia se conseguiria convencer Gonçalo e Talita a aceitarem Roberta.
Seu maior medo era que eles não dessem a mínima e, se ele fosse até lá, acabasse sendo humilhado também.
Aquele machucado servia como a desculpa perfeita para adiar a visita. Quem sabe, esperando alguns dias, o próprio Sandro não resolvesse a situação.
Naquela manhã, Roberta havia levado uma porção de frutas cortadas para a empresa, entregando pessoalmente na sala de Sandro.
Desde que soube por Allan que Sandro tinha ido até a casa deles no dia anterior, mas não entrou, um pressentimento ruim se instalou nela.
— Pense no estilo de casamento que você quer e vá escolhendo. Estamos prontos para qualquer momento.
Suas palavras pareciam dar total liberdade a Roberta, mas, na verdade, mostravam que ele estava exausto e não queria gastar energia com aquilo.
Em outras palavras, tanto fazia.
Roberta, incapaz de perceber a apatia no rosto do noivo, animou-se:
— Sério? Então vou usar meu tempo livre para escolher o tema e o estilo.
— Quando a gente começa a organizar, aparecem tantas coisas para decidir... vestido de noiva, traje, buffet, hotel... Pensando bem, Sandro, se fizermos num hotel, não vai ficar comum demais? Todo mundo faz assim. Que tal mudarmos para um casamento numa ilha paradisíaca?
Sem sequer desviar os olhos da tela do computador, incomodado com a repercussão daquela manhã e com a postura dos pais, Sandro murmurou sem interesse:
— Você que sabe. O que você gostar está ótimo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...