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Dança das Sombras (Harém reverso) romance Capítulo 15

Lilly

Me olho no espelho: o vestido preto longo abraça meu corpo suavemente, e, de perfil, contemplo o caimento.

– Você está linda, Lilly – diz Iza, atrás de mim, enquanto coloca seu par de brincos.

Iza também usava um vestido longo verde que combinava perfeitamente com seus cabelos Ruivos encaracolados.

Gostaria de ter feito um coque, mas Lilly me impediu. Então, ela ondulou meus cabelos longos e os arrumou de maneira que uma parte do meu colo ficasse exposta.

Quando finalmente estávamos prontas, descemos para encontrar seu pai. O carro estacionava em um antigo casarão, repleto de luzes e rodeado de arbustos.

Logo que descemos, fomos recebidas pelo manobrista, que nos ajudou a sair do veículo. Seguro a mão de Iza, caminhamos logo atrás do seu pai, que parava várias vezes para cumprimentar e conversar com os convidados.

Não vi nenhum dos meninos durante o dia, pois todos estavam com a atenção voltada para esse baile. Logo pela manhã, fui para a casa de Iza.

Enquanto andávamos entre as pessoas, meus olhos procuravam automaticamente por qualquer um deles.

– Que merda você está fazendo, Lilly.

Eu não posso me apaixonar por nenhum deles – lembre-se de que você é apenas uma dívida de um bando de loucos.

Quando Iza e eu seguimos em direção ao bar, sinto uma presença atrás de nós. Viro meu corpo e encontro Aiden parado logo atrás de mim; ele usava um terno todo preto e seus cabelos, penteados para trás, davam um ar de elegância e poder que emanava não só dele, mas de toda a família.

– Senhorita Miller! – diz ele, estendendo o braço para mim. Olho para Iza, que faz sinal para eu acompanhá-lo.

Enlaço meu braço ao dele e começamos a caminhar pelo salão; sinto os olhares sobre nós e pequenos cochichos abafados.

– Cadê os outros? – pergunto, tentando parecer calma e disfarçar o nervosismo provocado pela atenção que recaía sobre mim.

– Logo estarão aqui. Sou tão ruim assim que até minha presença lhe incomoda, Lilly? – pergunta ele, agora com um olhar frio.

Quando começo a responder, somos interrompidas por um senhor de meia-idade que vem cumprimentar Aiden.

– Boa noite, Senhor Fox. Está tudo de extremo bom gosto, como sempre.

– Obrigado! – responde Aiden friamente, sem ao menos tentar puxar algum assunto que deixasse o senhor completamente sem graça.

– Quem seria essa adorável moça? – indaga o senhor, enquanto sinto seu olhar percorrendo meu corpo, o que me deixa incomodada; aperto um pouco o braço de Aiden, que rapidamente direciona o olhar para mim, e então encaro o senhor.

– A futura senhora Fox – responde Aiden.

O senhor olha para ele com certa surpresa.

– Ah, meio nova para ser uma senhora, não acha?

– E desde quando isso é da sua conta? – retruca Aiden, e o senhor permanece sem reação.

Aiden me guia pelo salão e, afastando uma pequena mecha do meu cabelo, aproxima-se do meu ouvido. Em quatro meses, era a primeira vez que o via tão próximo.

– Só me ouça: não posso vigiar você a noite toda, então fique sempre à vista – não só dos meus olhos, mas também dos meus irmãos.

Eu o encaro, sem compreender. Sua expressão é completamente séria, mas, mesmo assim, ele não deixa de ser belo.

– O que, por que? – pergunto, apreensiva.

– O maldito do seu pai me devia muito dinheiro; acho que já está na hora de você começar a pagar a dívida dele – diz ele, e dou um passo para trás.

– Não se aproxime de mim! – grito, enquanto ele começa a rir, como se eu tivesse contado uma piada. Tento correr em direção à porta do banheiro, mas ela está trancada.

– Abre essa porta! – grito, desesperada.

– Ninguém vai te ouvir, Lilly; todos estão no salão. Você não tem escapatória! – retruca ele, saltando sobre mim e se grudando ao meu pescoço. Tento arrancar suas mãos, mas não consigo; dou um chute em suas pernas, e ele solta meu pescoço.

– Sua vadiazinha! – ele avança novamente, desferindo um tapa em meu rosto que me faz cair. Arrasto-me pelo chão, tentando levantar-me.

– Vou ensinar você a me respeitar! – ele se lança sobre mim, desferindo mais um tapa imediatamente. Segura minhas mãos firmemente sobre minha cabeça enquanto me debato, chorando.

Ele começa a beijar meu pescoço, e eu choro implorando por ajuda, quando, de repente, a porta do banheiro se fecha atrás de nós. Aaron agarra o velho, puxa-o de cima de mim e o arremessa para o outro lado do ambiente.

– Você está bem? – pergunta Aiden, seriamente, ao passar a mão levemente pelo meu pescoço.

– Não. Ele… eu tentei… – consigo murmurar, enquanto minhas lágrimas continuam a cair. Aiden me pega no colo, e, ao olhar, vejo Aaron segurando o velho.

– Mate-o! Ele não deveria ter te tocado!

– Não, Aiden, espere – vamos conversar.

Os gritos ecoam ao longe. Aiden continua a caminhar comigo em seu colo, ignorando os olhares alheios. Apoio meu rosto em seu peito, não querendo que ninguém veja-me naquele estado.

Ao entrarmos no carro, tento mudar de posição para me sentar, mas Aiden me impede. Assim, continuo sentada em seu colo, deixando as lágrimas me invadirem – como se, de alguma forma, elas pudessem pagar os erros do meu pai.

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