Aiden
O baile da nossa família era hoje. Todos os anos, o realizamos como forma de manter contato com novos investidores. Mesmo que a maioria deles seja desprezível, ainda precisamos tê-los por perto.
Meus irmãos e eu fomos direto para o antigo casarão da família, mas meus pensamentos ultimamente têm girado em torno de uma única pessoa: Lilly.
Por que ela deixa todos se aproximarem, menos eu? Até o Aaron ela beijou, mas a mim... nem um simples “bom dia”. Sei que ela precisa de alguém para depositar toda sua raiva, mas queria que ela me desse o espaço que preciso para me aproximar.
Ando pelo salão, cumprimentando alguns sócios, quando meus olhos encontram a mulher que está ao lado de sua amiga. Seu vestido preto abraça suas curvas nos lugares perfeitos, e seus longos cabelos loiros, ondulados de maneira sedutora, destacam ainda mais sua beleza.
Sem dúvida, ela é a mulher mais bonita daquele salão. Caminho em sua direção, procurando não chamar atenção. Seu cheiro de baunilha alcança meu nariz antes mesmo de ela me notar. Quando nossos olhos se encontram, deixo meu olhar percorrer seu corpo rapidamente.
— Senhorita Miller — digo, estendendo o braço. Mesmo contrariada, ela aceita, e começamos a caminhar pelo salão.
Todos os olhos estão voltados para nós. Sei que estou chamando atenção — nunca apareci publicamente com nenhuma mulher antes. A tensão dos olhares sobre Lilly me irrita. Eu queria arrancar os olhos de cada um que a desejava.
— Onde estão os outros? — ela pergunta.
Sei que não sou o mais agradável para ela.
— Sou tão ruim assim, Lilly, que você nem consegue ficar um pouco ao meu lado?
Ela me olha, sem graça. Antes que ela responda, somos interrompidos pelo senhor Alfredo — aquele velho maldito.
— Senhor Fox! — ele me cumprimenta. Ignoro a saudação, focando no olhar que ele lança para Lilly. Mesmo casado há mais de quinze anos, ele compra garotas ainda mais novas que ela para satisfazer seus desejos nojentos.
Quando percebe meu desinteresse, tenta puxar conversa:
— Então, senhor Fox, quem é essa adorável moça?
— A futura senhora Fox — respondo seriamente, olhando para ele com frieza. Estou marcando território. Olho para Lilly, que permanece imóvel.
Após afastarmos o velho, caminho mais um pouco com ela, passando a mão por sua cintura, me aproximando de seu pescoço.
— Aproveite a festa, mas não saia do nosso campo de visão. Não confio em ninguém aqui — digo.
Ela me olha um pouco assustada, mas acata o pedido. Conforme a noite passa, ela se mistura entre os convidados.
Durante o jantar, não consigo ignorar os olhares de Alfredo para minha Lilly. Minha vontade era esmagar sua cabeça ali mesmo, na frente de todos. Quando ela se levanta, diz que vai ao banheiro. Parecia incomodada. Será que ela percebeu os olhares dele?
Alguns minutos depois, Alfredo também se retira, fingindo atender uma ligação. Troco um olhar com Aaron, que entende imediatamente e o segue.
O tempo passa e Lilly não retorna. Decido procurá-la. Bato na porta do banheiro feminino, mas tudo está em silêncio. Aaron me encontra logo em seguida, dizendo que Alfredo sumiu.
Arrombamos a porta e encontramos Lilly em prantos, com Alfredo sobre ela. Aaron o arranca de cima dela na hora, e eu a pego no colo. Seu pescoço está cheio de marcas roxas.
— Que merda ele fez com você? — pergunto, transtornado.
— Ele tentou… — ela diz, entre lágrimas.
Aperto Lilly em meus braços e digo a Aaron:
— Mate ele. Ele nunca deveria ter encostado nela.
Ignoro qualquer chance de explicação. É lógico que Alfredo morrerá, mas quero que ele sofra antes — e Aaron vai cuidar disso com maestria.
Meu instinto possessivo toma conta. Não quero que ninguém encoste nela além de mim.
— Você disse que não era para arrumar confusão ou te envergonhar, e aconteceu tudo isso ontem à noite.
— Não peça desculpas por algo que você não fez — ele diz. E, quando percebo, está a poucos centímetros de mim.
— Mas… e se aquele homem vier atrás de mim de novo?
— Ele não vai.
— Como você pode ter certeza? Ele disse que meu pai também lhe devia dinheiro...
— Ele está morto, Lilly — Aiden diz com firmeza, sem pestanejar.
— Aconselho que tome seu café da manhã… a não ser que queira ficar aqui e me ver trocar de roupa.
Minhas bochechas queimam, e saio rapidamente em direção à mesa onde o café nos espera.
Mais tarde, quando todos já haviam saído da casa, decidi aproveitar o momento sozinha para vasculhar. Eu precisava encontrar algum contrato ou qualquer coisa que me libertasse dessa família.
Comecei pelo quarto de Aiden. As roupas estavam organizadas de forma impecável, mas não encontrei nada de útil. Saí com cuidado e fui para o próximo quarto. Ao contrário do dele, esse era bem mais iluminado, com uma sensação mais leve. A cama estava perfeitamente arrumada, e não havia pistas óbvias sobre quem dormia ali.
Entrei no closet. A ausência de ternos e a variedade de jaquetas me fizeram concluir que aquele era o quarto de Aaron.
Uma jaqueta estilo militar chamou minha atenção. Parecia mais um uniforme do que uma peça de roupa comum. Tirei-a do cabide e, ao fazer isso, uma foto caiu do bolso.
Peguei a foto nas mãos. Era Aaron... com uma mulher. Ele estava irreconhecível: cabelos curtos, menos tatuagens, e, o mais surpreendente… ele estava sorrindo.
— Que merda você está fazendo no meu quarto? — Aaron surge, tirando a foto das minhas mãos com um puxão seco.

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