Lilly
Iza e eu ficamos sentadas no chão do buraco até ouvirmos barulhos que pareciam passos. Nenhuma de nós queria voltar para casa, mas não teríamos outra alternativa a não ser pedir ajuda aos cinco homens que estavam à nossa procura.
Depois de gritarmos por alguns minutos, uma sombra aparece à nossa frente, bloqueando a luz do sol.
— Olha só, os coelhinhos ficaram presos na toca!
Levanto o olhar e vejo Adam parado, braços cruzados, parecendo se divertir muito com a nossa situação.
— Achei elas! — ele grita, e logo mais quatro sombras aparecem ao redor do buraco.
Eu estava cansada, assustada, faminta e imunda. A última coisa que queria era levar bronca, mas era exatamente isso que estava prestes a acontecer.
— Tanto sacrifício pra acabar dentro de um buraco — diz Aiden, apoiado nos joelhos enquanto nos observa rindo.
— Já que quiseram fugir, por que não deixamos elas aí dentro mesmo? Pelo menos assim compensaria a noite que perdemos atrás delas — diz o homem que está atrás de Luiza.
— Vão à merda! Se vocês não se importam, por que estão aqui?! — grito, encarando os cinco.
— Porque você pertence a nós. E ele está atrás da noiva em fuga. Acha mesmo que fiquei feliz em saber que a filha do meu advogado sumiu e levou junto a minha mulher?! — diz Aiden, ainda com raiva.
— Quer saber? Vão embora. Prefiro morrer de fome e desidratação do que voltar pra casa com ele! — Luiza grita do fundo do buraco.
— Vocês ouviram. Vão embora. A gente não vai sair daqui — digo, sentando-me ao lado de Luiza no chão. Vejo a expressão de raiva estampada nos rostos deles.
— Que merda você tá fazendo, garota? Sabia que eu tenho um jogo hoje à noite? — grita Austin. Pela primeira vez, o vejo realmente furioso.
— Tô apoiando minha melhor amiga. Não saio daqui sem a Luiza. Quer saber? Vai pro seu jogo, Austin. Aposto que a Sofia tá te esperando — digo, provocando ainda mais a raiva dele.
— Vai se foder, sua pirralha! — ele responde, saindo sem deixar que eu veja sua expressão.
— Ok, vamos deixá-las aí! — diz Adam, e sai. Inacreditavelmente, os outros o seguem. Isso me deixa frustrada. Eles realmente foram embora.
Me sento no chão novamente e apoio a cabeça nos joelhos. O sol estava forte, e eu morrendo de sede.
— Tô com fome... — resmunga Iza.
— Ué, não foi você quem disse que preferia morrer de fome e sede a sair daqui? — digo, rindo da nossa situação.
— Vai à merda, Lilly. Mas você sabe que eu te amo, né? — ela fala com os olhos marejados.
— Ai, meu Deus, a falta d’água tá te deixando emotiva — respondo, rindo novamente.
De repente, uma corda cai sobre mim. Olho para cima e vejo Aaron descendo na nossa direção.
— Mudaram de ideia? — digo, sarcástica.
— Não. Só achamos uma forma melhor de fazer vocês pagarem.
— Eu não saio daqui sem ela! — digo, encarando-o.
— Vem, Luiza, se apoie em mim — ele diz, pegando Luiza nos braços enquanto a corda começa a puxá-los. Fico observando os dois sumirem.
Algum tempo depois, Aaron desce novamente. Continuo sentada no chão. Ele se agacha, ergue meu queixo, e sua expressão não é nada amigável. Me ajuda a levantar e olho para a corda por onde ele havia descido.
Aaron me encurrala contra a parede de terra e aperta meu pescoço.
— Eu juro que, se você fizer isso de novo, eu mesma te mato, garota — sua raiva era evidente.
Ele me pega no colo. Apoio minha cabeça em seu peito para evitar olhar em seus olhos. Quando subimos, vejo Austin, Adam e Aiden, mas Luiza e o outro homem não estão lá.
Aaron me coloca no chão. Olho para mim pela primeira vez: estou completamente imunda.
— Onde está a Luiza? — pergunto. Eles ficam em silêncio, sem dizer uma única palavra.
— Sério que vocês deixaram aquele homem levar ela? Nem sabem quem ele é! — digo furiosa, caminhando pela mata até sentir algo me puxar de volta. Me viro e vejo Adam me segurando.
— Já estou cansado de você agir como uma pirralha mimada — ele grita no meu rosto. Isso me assusta. De todos eles, Adam sempre foi o mais calmo. Nunca o vi assim.
— Sério que agora vai chorar? — ele pergunta, ainda me segurando firmemente.
— O que vocês acharam? Que poderiam sair da cidade e a gente não iria atrás? Lilly, pare e pense. Você não tem escapatória.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Dança das Sombras (Harém reverso)