Lilly
Desde que voltei para casa, não tive mais notícias de Luiza. Aiden, Adam, Aaron e Austin me ignoram e fingem que eu não existo.
Perdi o direito ao meu quarto. Tive duas opções: uma cela no porão ou dividir o quarto com Aiden — o que, sinceramente, acho desnecessário. Até minha faculdade foi tirada de mim, e agora sou obrigada a ter aulas online.
Mas, de tudo isso, o que mais me faz falta é o balé e a companhia da Luiza. Eram as únicas duas coisas de que eu realmente gostava aqui. Como minha aula do dia já havia terminado, saí para o jardim e me sentei sob uma árvore, começando a ler Dom Quixote, que seria o tema da próxima aula.
Estava concentrada na leitura quando a governanta me avisou que o almoço já estava servido. Agradeci, mas disse que já iria, embora continuasse ali, no mesmo lugar. Já que estava sozinha, não fazia questão de comer nos horários certos.
Por incrível que pareça, o livro era realmente bom. Não era o meu gênero favorito, mas eu lia cada página com mais ansiedade pelo próximo capítulo — até que ele foi arrancado de minhas mãos.
— Dom Quixote? Confesso que não faz muito seu estilo — Aiden comentou, arqueando uma sobrancelha ao olhar o livro.
— O que você quer, Aiden? Veio aqui tirar mais alguma coisa de mim?
— Tudo isso só aconteceu por sua culpa! Se você tivesse me obedecido, não teria perdido os privilégios que tinha!
— Privilégios? — repito, rindo com ironia. — Que merda de privilégios eu tenho? Até onde eu sei, você matou meu pai, me tirou da minha casa, e eu nem sei se minha mãe está viva! Eu não posso ver minha melhor amiga, não posso ir à faculdade, não posso conviver com qualquer pessoa normal ao meu redor! Por que você simplesmente não me mata logo? Quem sabe assim eu finalmente consiga um pouco de paz...
Aiden não responde. Apenas cerra a mandíbula com força e volta para dentro da casa. Meus olhos se enchem de lágrimas, e pela primeira vez me sinto completamente sozinha e perdida. Eu não tinha ninguém ao meu lado. Ninguém que me amasse. Ninguém que se importasse comigo.
Subo e, mesmo proibida, vou até o meu antigo quarto. Me deito na cama, pego o urso de pelúcia que ganhei e o abraço com força. Deixo as lágrimas caírem livremente até finalmente adormecer.
Quando acordo, já era noite. Me olho no espelho e vejo meus olhos vermelhos e inchados. Decido tomar um banho, mas lembro que quase todos os meus pijamas estão no quarto de Aiden.
Como a casa está silenciosa, presumo que estou sozinha. Corro para tomar banho, já que o banheiro de Aiden não tem chave.
Pego meu pijama e corro para o box. Deixo a água quente cair sobre mim enquanto penso no que será da minha vida a partir de agora. Será que vou viver assim para sempre?
Ouço a porta do banheiro se abrir. Me viro assustada, cobrindo os seios com as mãos.
— O que você está fazendo aqui? — pergunto, tensa.
— Que eu saiba, esse é o meu quarto e o meu banheiro. Não preciso da sua permissão para entrar ou sair — ele responde com frieza.
Olho frustrada para ele e só então percebo que está sem camiseta. Ao descer mais o olhar, vejo que ele está completamente nu.
Minhas bochechas ardem imediatamente.
— Não! — grito. — Você não pode entrar aqui desse jeito! Eu nem terminei de tomar banho! Sai daqui agora!
— Se não o quê? Vai gritar? Duvido que alguém venha até aqui — ele diz, os olhos azuis dilatados.
Minha raiva supera o medo. Tento empurrá-lo para fora do box, mas ele nem se move. Está com aquele maldito sorriso presunçoso no rosto.
Tento sair por conta própria, mas tropeço no trilho da porta. Aiden me segura nos braços enquanto a água escorre sobre nossos corpos. Ele desce o olhar para meus seios sem qualquer pudor, mas os meus olhos permanecem presos ao desenho perfeito dos seus lábios. Ele se aproxima, ficando a poucos centímetros de mim. Por um segundo, acho que ele vai me beijar — mas em vez disso, me coloca de pé.
Me apoio em seu ombro e aproveito o momento para sair do box. Pego um roupão, visto e corro até o closet, onde troco de roupa e sigo para o meu quarto.
Não consigo parar de pensar no que acabou de acontecer. Mais alguns segundos e talvez eu o tivesse deixado me beijar... O que mais ele teria feito?
Depois de vestir meu pijama e pentear o cabelo, desço até a cozinha. Como todos estão me ignorando, faço minha refeição sozinha. Mas mal consigo tocar na comida. A única coisa que passa pela minha cabeça é Aiden e o que aconteceu no banheiro.
Quando percebo que todos já jantaram, me levanto e vou até as escadas. No caminho, paro em frente à porta do escritório de Aiden. Todo dia, depois do jantar, ele vem para cá. Encaro a porta por alguns segundos, até que tomo coragem e bato.
Silêncio.
Bato novamente. Nada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Dança das Sombras (Harém reverso)