Aiden
Ficar longe da Lilly estava cada dia mais difícil. Eu ansiava por tê-la em meus braços, mas precisava me controlar ao máximo. Não podia assustá-la com o meu jeito.
Dormir ao lado dela era a coisa mais maravilhosa que poderia me acontecer. Sentia seu cheiro toda vez que entrava no quarto, e só a sua presença conseguia acalmar minha mente turbulenta.
Ao acordar, olho a longa cascata de fios loiros espalhada sobre a cama.
— Aonde você pensa que vai? — pergunto, sem querer afastar sua presença.
— Preciso me arrumar, vou para o meu quarto! — ela exclama.
— Seu quarto é aqui, a partir de agora. Não tem por que sair — digo, irritado com a insistência dela em se afastar de mim.
Me levanto da cama imediatamente e vou em direção ao banheiro. Ligo o chuveiro para a água esquentar e volto para chamá-la.
— Vem, vou te dar banho! — falo, parado à porta do banheiro.
— Posso fazer isso sozinha, não preciso de ajuda! — ela rebate, emburrada. Como alguém com pouco mais de um metro e meio pode ser tão teimosa e temperamental assim?
— Eu não estou pedindo, Lilly — digo com firmeza. Ela entende o recado.
Lilly caminha até o banheiro, prende o cabelo num coque alto, o que deixa seu rosto ainda mais evidente. Ela tira o pijama, deixando-o sobre a pia, e entra no box. Caminho até ela e fecho a porta atrás de mim.
Depois que a ajudo a tomar banho, saímos. Me visto com meu terno enquanto ela ainda se arruma para a aula.
— Preciso que volte cedo para casa hoje — digo enquanto dou o nó na gravata.
— Eu volto no mesmo horário que o Adam e o Austin — ela responde, penteando os cabelos.
— Meu motorista vai te buscar depois da aula. Preciso que me acompanhe num jantar de negócios.
— Ah... não sei se é uma boa ideia. Você sabe o que aconteceu da última vez — ela diz, apreensiva, lembrando do incidente no baile.
— Ninguém toca no que é meu sem sofrer as consequências.
— Fique pronta. Buscarei você às cinco — digo, dando um beijo leve em sua testa.
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Mais tarde, quando voltei para casa, encontrei Lilly sentada no sofá. Meus olhos pararam no vestido vermelho com uma fenda alta em sua perna. Ela estava com os cabelos ondulados e usava belos saltos pretos. Aquela cor fazia seus olhos se destacarem ainda mais.
Subo rapidamente para o quarto e me arrumo. Ao contrário de todas as outras vezes, hoje não iríamos com o motorista — seria só eu e ela, dirigindo pela pista. O silêncio dominava o carro. Eu poderia ter vindo sozinho, como sempre faço, mas queria que ela passasse o máximo de tempo comigo.
Saio do carro, dou a volta e abro a porta para ela. Seguro sua mão e sinto quando ela se arrepia com o meu toque.
O jantar, ao contrário da última vez, correu extremamente bem. Lilly, mesmo sem conhecer ninguém, se saiu melhor do que eu esperava.
Quando finalmente terminou, eu e os outros sócios subimos para o terraço para fumar e conversar sobre os últimos ajustes. Depois desci, procurando por Lilly, que deveria estar com as outras senhoras — mas fui interrompido por alguém.
— Então é verdade? Você realmente me trocou por uma pirralha, Aiden? — Susana me abordou no meio do corredor.
— Do que você está falando, Lilly? — pergunto, confuso. Seu tom não é nada bom.
— Eu ouvi tudo o que ela disse. Se queria me humilhar, conseguiu. Eu ouvi com meus próprios ouvidos que nunca vou ser mulher o suficiente pra você... e talvez nem para os seus irmãos.
— E você também ouviu quando eu disse que não tenho nada com ela?
Estaciono o carro em frente à nossa casa. Lilly sai, batendo a porta como uma criança mimada. Vou atrás dela, furioso. Ela não vai se livrar de mim tão fácil, não hoje.
Subo as escadas correndo, entro no quarto e a vejo no closet, abrindo o vestido.
— Por que você não para de agir como uma criança mimada? — grito, entrando atrás dela. Mas ela continua me ignorando. Puxo seu braço, virando-a em minha direção.
— Não está ouvindo que estou falando com você? — pergunto, segurando seus braços. Ela permanece calada, com os olhos marejados.
— O que eu sou pra você, Aiden? — ela pergunta. Fico em silêncio, pego de surpresa.
— Eu fiz uma pergunta. O que eu sou pra você? O que você quer de mim? Porque eu não aguento mais essa confusão! — ela diz, a voz alterada e os olhos cheios de lágrimas.
— Você realmente quer saber?
Antes mesmo que ela responda, tomo seus lábios nos meus, a pegando de surpresa. Lilly tenta se soltar, mas aperto seus braços até que ela finalmente cede, passando as mãos em volta do meu pescoço.
A pego no colo e ela envolve minha cintura com as pernas. Caminho com ela em direção à nossa cama.

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