Inês já havia pedido a Rodrigo que não contasse à Sra. Silveira que ela havia perdido peso. Desde a visita de Rodrigo, ela também se esforçava para comer, mas estar longe de casa muitas vezes dificultava a adaptação.
E mais, carregando falsas acusações nas costas, por mais que tentasse comer, o apetite não era sincero, e no fim das contas, ela emagreceu mesmo.
A Sra. Silveira puxava a mão dela, chorando de dó enquanto disparava imprecações em voz alta.
— Esses desgraçados, que devem levar mil facadas! Vocês acham que são os espertos e que os outros têm que ser todos idiotas, é isso? Se a coisa é boa, é de vocês. E se não é, tem que ser! Nunca vi gente tão cara de pau. Os céus deveriam fulminar de vez esse bando de desavergonhados! Coisas do demônio, um bando de inúteis que só sabem pegar as coisas dos outros!
— Olha só o estado que deixaram a Nossa Jovem Senhora! Ó céus, vocês não têm olhos! Se tivessem, castigariam com raios aquela corja de bichos. Eu me esforcei tanto para deixá-la corada e saudável, e agora olha para isso, com certeza está subnutrida de novo. E esse pé, meu Deus do céu, quanto tempo vai levar para curar? Mesmo quando melhorar, vai deixar cicatriz, e mesmo se fizer cirurgia para remover, acha que a cicatriz do coração dá pra tirar de verdade? O sofrimento desses últimos meses pode simplesmente desaparecer?
A Sra. Silveira acabou fazendo o grupo todo chorar novamente.
Os olhos de Inês estavam vermelhos e já incrivelmente inchados. Durante a refeição, ela mantinha os olhos baixos, as lágrimas despencavam na tigela de arroz enquanto ela levava colheradas à boca.
Rodrigo foi o primeiro a notar que algo estava errado com ela. Rapidamente, esticou a mão para erguer gentilmente o queixo dela, fazendo-a levantar o rosto; as lágrimas rolavam como contas arrebentadas, caindo sem parar pelo seu rosto.
Todos se alarmaram, perguntando se a comida não estava boa, ou o que tinha acontecido.
Com o polegar, Rodrigo enxugava, aos poucos, as lágrimas do rosto dela.
Inês balançou a cabeça delicadamente. Com o olhar de novo embaçado, ela passou os olhos por todas as pessoas presentes e disse baixinho:
— Eu antes também culpava os céus por serem injustos comigo, mas agora eu sinto que, na verdade, os céus têm sido muito generosos comigo.
Todos soltaram um suspiro de alívio.
Contanto que não estivesse se sentindo injustiçada ou triste, estava tudo bem.
A primeira refeição de Inês de volta ao país foi um misto de choro e risos. Depois da refeição, a Sra. Paz instruiu os empregados da mansão para levarem todos aos seus quartos para descansarem. Ela sabia que a grande maioria estava na expectativa da volta dela desde o dia anterior e com certeza não haviam repousado direito.
Inês também estava exausta depois de estar há mais de dez horas em um avião. Apesar de ter se encontrado com todos, na prática não tinha tido a chance de passar um tempo a sós com a família.
Ela não era uma pessoa de falar muito, então, em vez de se reunir e ficar tagarelando, preferia passar mais tempo no mesmo espaço com aquelas pessoas que lhe eram íntimas e queridas.
Ela desejava que todos, se não tivessem nada urgente, ficassem na mansão por mais alguns dias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...