Ao comprar o último item, Inês enviou uma mensagem para Alice.
[Alice, por favor, me tire daqui hoje à noite, não importa como. Não posso ficar sob o mesmo teto que o Abel.]
[Deixa comigo!]
Depois de enviar a mensagem, Inês guardou o celular no bolso e virou-se para Abel:
— Vamos para casa.
Ao chegarem, Inês foi direto para a cozinha.
Cada panela, cada talher na cozinha havia sido escolhido por ela, tudo no estilo que Abel gostava, mas ele nunca havia notado.
Abel sentou-se no sofá como de costume, com o noticiário passando na TV. Seus olhos volta e meia buscavam a figura ocupada na cozinha, e um sorriso gradualmente surgiu em seu rosto.
Ele gostava muito daquele estado de coisas.
Aquilo lhe trazia segurança.
Pouco tempo depois, alguém tocou a campainha.
Alex havia chegado.
Ele trazia uma cesta de frutas na mão e sorriu:
— Abel, que convite repentino foi esse? O que a Inês está preparando de bom?
— Que intimidade é essa chamando pelo nome? Chame de cunhada. — Abel demonstrou insatisfação com a informalidade do amigo.
Alex travou por um instante, revirou os olhos disfarçadamente e disse logo:
— Falha minha, falha minha.
Por dentro, pensava: "O Abel realmente não pretende se divorciar da Inês? E a Julieta, como fica?"
"Deixa pra lá, isso não é problema meu. Se o amigo diz que é cunhada, então é cunhada."
Inês ouviu o barulho e olhou. Ao ver que era Alex, notou os dois sentados no sofá: um em postura ereta, o outro relaxado. A maneira como conversavam lembrava muito o dia em que ela descobriu a verdade por acaso.
Inês baixou os olhos. O celular sobre a bancada acendeu: mensagem de Alice.
Ela pegou o celular e abriu a porta da cozinha. Abel e Alex olharam simultaneamente do sofá.
— A Alice chegou, vou abrir a porta. — Inês caminhou até a entrada, e a campainha tocou no momento exato.
Ao abrir a porta, Alice estendeu uma garrafa de vinho diante de seus olhos:

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