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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 666

Inês sabia que ele se preocupava constantemente com a saúde dela e respondeu com seriedade:

— Eu tenho me alimentado direito.

Sua voz serena carregava um tom dócil.

Rodrigo não conseguiu conter o instinto de querer protegê-la.

Como era possível que Inês fosse órfã?

Quem teria a coragem de abandoná-la em meio ao frio congelante?

Quem seria capaz de jogá-la na lama e tentar apagar o seu brilho?

Inês se preparava para pegar as pantufas para ele quando percebeu que Rodrigo a encarava fixamente. A escuridão em seus olhos era densa, como uma noite impossível de se dissipar.

— Hum? O que foi?

Rodrigo abaixou a cabeça, inclinou-se e beijou os lábios dela.

Ela achava que ele se contentaria apenas com um abraço e foi pega de surpresa por aquele beijo em plena luz do dia, com o irmão e a amiga logo ali. Nervosa, arregalou os olhos e, por instinto, ergueu as mãos para empurrá-lo pelo peito.

Seus pulsos foram segurados.

Ela foi puxada de volta para os braços dele, tendo sua cintura firmemente envolvida por uma mão grande.

Foi um beijo profundo.

Inês mal tinha forças para resistir. Qualquer tentativa de abrir os lábios para protestar resultaria em uma investida ainda mais voraz.

— Inês, quem é... — Alice veio lá do escritório, mas mal chegou à sala de estar e flagrou os dois aos beijos, perdidos no hall de entrada. Imediatamente, levou as mãos ao rosto para cobrir os olhos.

Eu não devia estar vendo isso!

Espera, mas eu sou maior de idade.

Não, não. A questão é que eu não posso atrapalhar!

Ainda com as mãos no rosto, Alice deu meia-volta e retornou até Mike. Ao ver que o garoto esticava o pescoço para espiar o que acontecia, segurou-lhe a cabeça e o virou de volta para o caderno:

— Vamos continuar, vamos continuar.

— Mike, me diz uma coisa: quando a Inês e meu irmão casarem e tiverem um filho, você acha que ele deveria me chamar de madrinha ou de tia? Qual soa mais carinhoso?

Mike olhou para ela, completamente perdido.

— Ah, deixa para lá. Vai ser tia mesmo. Uma tia é quase uma mãe.

— Vem, vamos focar nisso aqui.

Mike concordou com a cabeça, ainda confuso:

— Ah, tá bom.

Rodrigo a beijou por quase cinco minutos antes de libertá-la, ensinando-a de passagem como respirar durante o beijo.

— Ah, tá. — resmungou Alice.

Inês olhou para ele, surpresa. Lembrava-se claramente de ter sido ela quem dissera sentir saudades.

Entendendo o seu olhar, Rodrigo aproximou-se e murmurou:

— Eu também estava com saudade de você.

Sabendo que ela ficava envergonhada com facilidade, ele tratou de mudar de assunto:

— Beba um pouco de água. De manhã, podemos revisar o que você já aprendeu, e à tarde eu levo você para a prática.

Inês assentiu e perguntou:

— Tudo bem. Você vai querer suco ou café?

Havia não só um liquidificador na casa, mas também a máquina de café que Adrian enviara de presente. Ela sabia preparar os dois.

Rodrigo optou pelo café.

Inês foi buscar uma das xícaras de café novas que recebera de Paulina. Ao erguer os olhos, viu que ele já estava diante da máquina, preparando a bebida com toda a sua elegância aristocrática.

Rodrigo levantou o olhar para ela e propôs:

— Você usa a nova, e eu uso a sua.

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