No meio do almoço, Inês recebeu uma chamada de áudio de Ofélia, que ao mesmo tempo lhe enviou uma mensagem.
— Seu marido apareceu aqui do nada!
Inês largou o garfo imediatamente, pediu licença a Rodrigo e foi até a janela atender.
— Alô? O que eu faço? Seu marido apareceu de repente, a recepcionista me chamou de Sra. Rocha e eu quase dei de cara com ele. — A voz no telefone era baixa e cautelosa. — Corri para o banheiro na mesma hora e me tranquei. Ele está esperando do lado de fora do banheiro! O que eu faço? Ele não te mandou mensagem?
Inês abriu a conversa com Abel; ele realmente estava perguntando se ela estava com dor de barriga.
— A recepcionista disse o que ele foi fazer aí?
— Disse que tem uma surpresa. Eu vi de relance, parece um buquê de flores, ele quer te levar para almoçar depois da aula.
Como não a encontrou, foi cercá-la na instituição.
Inês disse:
— Não faça barulho, vou enrolar ele e estou indo paraí agora.
Ela desligou e respondeu imediatamente a Abel.
— Estou com muita dor de barriga, acho que minha menstruação vai descer.
— Por que você veio me buscar de repente?
— A recepcionista disse que você preparou uma surpresa, eu olhei rápido, são flores?
Abel: — Inês, eu realmente quero me desculpar, não deixe de responder minhas mensagens.
Na verdade, tirando o bombardeio de mensagens naquela noite, Abel não tinha mandado muita coisa depois; estava muito ocupado.
O dia da licitação se aproximava, e todas as empresas convidadas estavam correndo contra o tempo.
Apesar de Rodrigo estar tranquilo ajudando na cozinha hoje de manhã, ontem à noite o grupo estava cheio de reclamações sobre o Diretor Simões ter feito todos trabalharem até tarde. Se não fosse pelo pagamento de horas extras e o reembolso do lanche da madrugada, elas estariam chorando.
Daniela Tavares e as outras só deram boa noite à uma da manhã.
Inês olhou para o homem que ainda almoçava calmamente e caminhou até ele.
— Ainda se importa com a impressão dele sobre você. — A voz do homem soou um pouco mais grave, e o olhar também escureceu.
— Não. — Inês negou. — Até sair a certidão de divórcio, não posso irritar o Abel. Arrastar o casamento ou ir para um litígio não me traz benefício algum.
Os lucros desse projeto dela só aumentariam, e ter que dividir metade com Abel, para que ele usasse o dinheiro dela para sustentar a Família Rocha e a Julieta?
Era assustador demais.
— Desculpe, Diretor Simões. — Inês fez uma leve reverência.
Rodrigo levantou-se e pegou o paletó:
— Eu te levo.
— Diretor Simões. — Inês olhou para ele. — Não posso irritar o Abel ainda mais, ele tem hostilidade contra o senhor.
Rodrigo soltou uma risada de descrença e sentou-se novamente.

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