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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 713

A véspera de Natal de Rodrigo transcorreu sem grandes diferenças em relação aos anos anteriores. Como de costume, ele recebeu os parentes, presidiu os assuntos familiares e usou de muita diplomacia para lidar com a família.

Era assim todo ano. Mesmo sabendo que, no fim das contas, ninguém poderia contrariá-lo e que tudo seguiria as suas regras, os parentes insistiam em testá-lo com discursos dissimulados, divertindo-se com o próprio jogo.

Se eles não se cansavam, para ele também não fazia diferença.

Na véspera de Natal, toda a família se reuniu para a grande ceia. No primeiro dia do ano, seguindo a tradição, prestaram homenagens aos antepassados na capela da família, uma cerimônia meticulosamente organizada pelo Sr. Mordomo Simões.

Internamente, a Família Simões dividia-se basicamente em três forças: a ramificação secundária que havia conquistado independência anos antes, a linhagem principal liderada por Xande, e o Pagode Branco, administrado diretamente pelo Sr. Mordomo Simões.

Sob a ótica de Rodrigo, esses três grupos podiam ser classificados de forma mais simples: os que apoiavam seu comando absoluto, os que cobiçavam o poder em suas mãos, e o Pagode Branco, que mantinha uma postura neutra, obedecendo a quem estivesse na liderança.

Segurando uma vela acesa, Rodrigo posicionou-se à frente de todos. Diante do poder absoluto, até mesmo os pais e os mais velhos precisavam recuar.

Contudo, as orações na capela daquele ano tiveram um detalhe diferente. Além de pedir proteção aos antepassados para os negócios da Família Simões, ele também pediu que o abençoassem para que conseguisse se casar com Inês.

No segundo e terceiro dias, Rodrigo não pôde sair de casa, pois a família de cinco pessoas de sua tia mais velha chegou da Cidade Balma.

Ao todo, as quatro ramificações somavam seis netos. Sendo o mais velho, Rodrigo entregou os envelopes de presente um por um, recebendo em troca os habituais agradecimentos cheios de reverência.

Alice abriu o seu envelope discretamente.

Por que discretamente? Porque, todos os anos, o presente dela era diferente do dos outros primos. Além do dinheiro, sempre havia algo a mais. Às vezes, eram joias, como pulseiras ou colares, colocadas de qualquer jeito para não chamar atenção.

De vez em quando, surgiam carros ou propriedades. Obviamente, chaves e escrituras não cabiam no envelope. Nessas ocasiões, o irmão escrevia um bilhete à mão: se fosse uma casa, ele anotava o endereço; se fosse um carro, o modelo.

Alice apertou o envelope e espiou lá dentro. Desta vez, encontrou um bilhete com um endereço e apenas uma palavra: Laboratório.

Ela arregalou os olhos.

Em choque, olhou para o irmão, abraçou o envelope e correu até ele, sussurrando:

— Você construiu um laboratório pra mim?

Rodrigo lançou um olhar de desdém para o espanto exagerado da irmã e respondeu:

— Sim.

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