Família Rocha.
Já fazia um tempo que Inês não voltava ali.
Olhando para a decoração festiva na porta da casa dos Rocha, ela involuntariamente se lembrou da véspera de Natal de todos os anos. Lembrava-se de estar sozinha, subindo em um banquinho para pendurar os enfeites, com a porta escancarada, podendo ver a atmosfera alegre lá dentro.
Geraldo e Abel sentados no sofá, Branca trazendo frutas recém-lavadas, Mariana saltitando atrás, mordendo uma fruta e se jogando no sofá, deitando sobre o irmão, Abel.
Inês fechou os olhos por um instante, respirou fundo e tocou a campainha.
Quem abriu foi Branca.
— Chegou. — A expressão de Branca hoje estava estranhamente amena. Ela conduziu Inês direto ao escritório.
Geraldo abriu a gaveta e colocou quatro documentos sobre a mesa.
Dois eram as certidões de casamento.
Dois eram os documentos do divórcio.
O olhar de Inês fixou-se imóvel sobre eles, a respiração levemente suspensa.
Ela estendeu a mão para pegar.
Geraldo foi mais rápido e recolheu os papéis, com o olhar severo:
— Inês, lembra do que me prometeu?
— Lembro. — Inês desviou o olhar dos documentos e encarou Geraldo com firmeza. — Não vou sair por aí fazendo alarde. Para quem não sabe que eu e Abel fomos casados, não tocarei no assunto; para quem sabe, também não serei eu a mencionar o divórcio.
Branca colocou-se ao lado de Geraldo, encarando Inês com a mesma intensidade:
— Você garante que não vai prejudicar o futuro do meu filho, jura que não vai falar nada sobre ele e a Julieta para ninguém.
Inês não respondeu, apenas os observou em silêncio.
— Eu não vou falar por iniciativa própria.
Se alguém perguntasse, a história era outra.
Branca captou a entrelinha:
— Garanta que não vai contar para ninguém!
Antes do divórcio sair, Inês já não temia muito as ameaças deles, quanto mais agora.
— Não posso garantir. — disse Inês. — A Dona Cláudia, que se preocupa comigo, a diretora do orfanato, minha mãe de criação, e minhas amigas... elas merecem saber. Não tenho motivo algum para esconder isso delas.

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