— Mande gente vigiar todos os hospitais públicos, particulares e clínicas da Cidade Alvorecer. Se virem a Julieta ou o Abel, quero monitoramento constante e relatórios imediatos.
— Entendido, Diretor Simões. — Daniela continuou: — O Noel já começou a reunir algumas informações no exterior.
Rodrigo assentiu:
— Diga a ele para intensificar as buscas.
A chamada foi encerrada.
Inês terminou de enfaixar a mão dele.
— Só dei uma volta com a gaze para não atrapalhar seus movimentos.
— Hum. — Rodrigo observava os cílios dela, que tremiam levemente como asas de borboleta.
Inês levantou os olhos e sorriu suavemente para ele:
— Diretor Simões, o senhor está me ajudando tanto... O que deseja em troca?
Os outros na sala prenderam a respiração, aguardando a resposta de Rodrigo.
Rodrigo olhou nos olhos límpidos de Inês e lembrou-se do que sua mãe lhe dissera: "Você precisa entender que ela não pode se aproximar da água agora".
— Quero que você se dedique de corpo e alma à Três Terras. Quero os equipamentos individuais de combate, o sistema de monitoramento agrícola e os robôs industriais no mercado o mais rápido possível. — A voz do homem era calma, magnética e profissional, e seu olhar, impenetrável.
Inês garantiu:
— Vou concluir tudo dentro do prazo previsto.
— Ótimo. — Rodrigo olhou para a própria mão, levantou-se e fez um sinal para Adrian segui-lo.
Os dois saíram para o pátio da Mansão Nove.
Adrian falou imediatamente:
— Saindo assim tão rápido? Ficou com medo de se entregar se continuasse lá?
Aquele discurso corporativo rígido fora apenas para não deixar Inês com peso na consciência.
Rodrigo permaneceu em silêncio, mas soltou discretamente o ar que prendia nos pulmões.
Foi por pouco.
O estado atual de Inês era tudo culpa daquele animal do Abel.
Recompondo-se, ele perguntou a Adrian:
— Você disse que a água fria faria mal à saúde dela. Aquele incidente teve algum impacto?
Era óbvio para qualquer um que Inês gostava de crianças; ela tratava Alice como se fosse da família.
— Não queria que eu te ajudasse com sua tese? Depois do jantar eu dou uma olhada.
— Oba! — Alice se animou, mas por dentro suspirava. Ela percebera que a pergunta de Inês mais cedo fora para sondar o terreno. Se o irmão dela demonstrasse qualquer sentimento pessoal, Inês se afastaria na mesma hora.
Provavelmente era estresse pós-traumático.
Maldito Abel!
...
Branca descobriu que Abel iria se encontrar com a Família Lima e insistiu em ir junto.
— A Julieta vai levar os pais para dar apoio, você acha que eu vou deixar você ir sozinho?
As duas famílias se sentaram frente a frente.
Os pais de Julieta finalmente conheceram o homem que deixara a filha obcecada. Abel tinha boa aparência e esbanjava riqueza; não era de se admirar que a filha não quisesse largar o osso.
Abel, ao ver os pais de Julieta, que tinham uma aparência acadêmica e distinta, sentiu que os olhares deles não eram amigáveis. Pareciam desprezar a Família Rocha.
Branca sentou-se com a postura rígida e o queixo empinado.
A culpa era toda da filha deles, que não se dava ao respeito. Branca não tinha motivo para se sentir desconfortável.
Já Abel, sob o escrutínio dos pais de Julieta, sentia-se humilhado. Ele nunca imaginou que chegaria ao ponto de ter um confronto entre as famílias.

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