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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 829

O avô Lessa pediu que todos os empregados saíssem. Caminhou até a varanda e disse à avó Lessa e a Nara:

— Entrem, vamos esclarecer essa história de uma vez por todas.

Nara permaneceu imóvel, mas foi arrastada para dentro pela avó Lessa, que estava determinada a fazê-la explicar o que havia acontecido há vinte e oito anos na Cidade GIO.

Nara manteve-se em silêncio, com as lágrimas escorrendo pelo rosto, que logo tentava enxugar com a mão. Por mais que os dois idosos perguntassem, não conseguiam arrancar-lhe uma única palavra. Mesmo quando expuseram todas as suas suspeitas, ela continuou calada.

— Lá vem ela de novo. — A avó Lessa sentiu uma dor de cabeça latejante. Ver a filha daquele jeito a fez lembrar de quando ela e o genro voltaram da Cidade GIO com Lucinda. Chorava dia e noite; ou ficava muda, ou, quando abria a boca, era para ter acessos de raiva. E, após os surtos, ficava encolhida num canto, tremendo da cabeça aos pés.

Sempre que olhava para Lucinda, sua expressão era de pânico absoluto. Nos momentos de fúria, pegava a menina e a repelia bruscamente, apenas para, logo em seguida, correr desesperada para pegá-la de volta, apertando-a contra o peito, cobrindo-a de beijos e murmurando pedidos de perdão sem parar.

Parecia ter perdido completamente o juízo.

Chegou a tal ponto que, nos dois primeiros anos, Robson mal ousava deixar Nara chegar perto da filha.

Na época, a avó Lessa não entendia por que Nara agia daquela forma. Mesmo que o segundo bebê não fosse um menino, não havia motivo para tamanho desespero. Afinal, já tinham o primeiro filho e, na pior das hipóteses, bastava tentar engravidar novamente.

Agora, finalmente compreendia.

A verdade era que havia ocorrido um abandono.

A avó Lessa cutucou a testa da filha com o dedo:

— O que você tinha na cabeça? Uma mulher na sua posição social, como teve a coragem de abandonar a criança num momento tão crítico daqueles?!

E devolveu a acusação com a mesma indignação:

— A culpa é de vocês! Quando Robson veio pedir a minha mão, antes mesmo do noivado, vocês repetiam no meu ouvido todos os dias que eu deveria engravidar assim que me casasse. Que eu tinha que dar à luz um menino a qualquer custo!

— Logo que nos casamos, Robson trabalhava demais. Eu cansei de dizer a vocês que ele não tinha tempo e que não planejava ter filhos no momento. E quando não consegui engravidar de imediato, o que vocês me disseram?

Nara fixou o olhar na mãe e exigiu:

— A senhora lembra do que me falou? Disse que eu era incompetente, que não existia homem no mundo que não quisesse um herdeiro. Ainda duvidou da minha saúde, arranjou uma desculpa para me fazer voltar para casa e me levou ao hospital para exames. Quando os resultados deram normais, a senhora disse que o médico não devia prestar e começou a procurar curandeiros. Lembra quantas garrafadas e simpatias a senhora me obrigou a engolir?!

Mais tarde, quando Robson descobriu que Nara estava tomando aquelas misturas suspeitas, tirou uma licença e a levou ao hospital para um check-up completo. O médico foi categórico: o corpo dela já havia sofrido danos severos e, se continuasse com aquilo, não apenas não teria um menino, como ficaria infértil para sempre.

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