Ao abrir o aplicativo de mensagens, deparou-se com mais uma linha de texto.
Augusto estava no Hospital Soares?
O olhar de Rodrigo escureceu instantaneamente. Ele se virou para Daniela.
— Qual é a próxima reunião?
— A videoconferência internacional foi adiada para as nove da noite. — respondeu Daniela.
— Entendido.
Ele se levantou e saiu.
...
No Grupo Ramalho.
Abel conseguiu passar ileso pelas sabatinas dos executivos do Grupo Ramalho. Agradeceu intimamente por ter o projeto da Sno Semiconductores como escudo, o que impediu os diretores de investigarem o caso das patentes do Sr. Franco muito a fundo.
O Diretor Ramalho ainda tentou questioná-lo, mas Abel usou a desculpa de que o Sr. Franco andava ocupado ultimamente para ganhar tempo.
Foi somente ao deixar a Torre Ramalho que Abel pôde finalmente respirar com calma.
— De volta à Tecno Universal.
— Sim, Diretor Rocha. — O motorista substituto deu partida em direção à Tecno Universal.
No trajeto, Abel trocou habilmente o chip do celular. Quando estava prestes a enviar outra mensagem para Inês, Maicon ligou.
Parecia que havia novidades sobre o garoto.
— Diretor Rocha, já encontramos o menino. O primeiro nome continua o mesmo, mas ganhou um sobrenome novo. Agora ele se chama Mike Salvador. — informou Maicon.
Para confirmar, Maicon enviou uma foto de Mike a Abel.
Ao abrir a imagem, Abel viu que o garoto havia crescido, mas o rosto era o mesmo. No entanto, usava roupas velhas e largas demais para ele, parecendo estar em uma situação pior do que quando estava no orfanato. Seu rosto estava até rachado de frio.
Além disso, o adolescente de quinze anos aparecia jogando bola num beco estreito com um bando de crianças menores.
Ele franziu o cenho:
— É ele mesmo. O que está acontecendo? Não está na escola? A família não compra roupas para ele?
— Fui me informar. Ele mora com a família de um primo do pai, num espaço minúsculo com seis pessoas. Os três filhos deles vão à escola. A vizinhança comenta que acham que ele tem problemas mentais e alguma deficiência, por isso não o matricularam no colégio.
— Autismo não é sinônimo de falta de inteligência. — retrucou Abel.
— Ouvi dizer também que a Família Salvador solicitou o benefício do governo para pessoas com deficiência logo que o trouxeram, então eles recebem uma ajuda mensal. Mas ainda preciso aprofundar essa investigação. — continuou Maicon.
A expressão de Abel tornou-se mais sombria. Aquele garoto tinha um grau severo de autismo; no orfanato, ele nunca falava com ninguém. Somente Inês conseguia fazê-lo se aproximar. Embora continuasse calado, ele a seguia por toda parte.
No ano retrasado, quando visitaram o orfanato, coincidiu com o dia em que um parente foi assinar a documentação para levá-lo. Naquela ocasião, o garoto falou pela primeira vez, chamando Inês de irmã.
Com o coração mole, Inês havia anotado o próprio número de telefone em um pedaço de papel, dobrado e guardado dentro do amuleto que Mike usava no pescoço.
O amuleto era revestido por uma camada de plástico impermeável. A Dra. Barros havia conseguido aqueles amuletos para as crianças e, temendo que estragassem com a água, orientou-os a nunca tirarem o plástico transparente.
O número de telefone estava a salvo lá dentro.

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