Diante da amabilidade das colegas, tudo o que ela conseguia dizer era:
— Obrigada.
— Sou eu quem te agradece. Se você não tivesse ido àquele jantar por mim ontem, eu teria bebido estando naqueles dias, e aí já viu, seria o meu fim. — Daniela foi buscar mais água quente e preparou uma xícara para ela.
Inês segurou a água com mel e tomou um pequeno gole.
— Eu não bebi ontem à noite.
— Jura? — Daniela fez uma cara de descrença e sussurrou no ouvido dela. — Você sabe como nos chamam? O "Corpo Diplomático" do Diretor Simões. A nossa competência não precisa ser extraordinária, o requisito principal é ter boa aparência, saber conversar e saber beber.
— Antes éramos só eu e a Esther Barros. A Esther é do tipo doce, eu, digamos, fico na categoria da sedutora fatal. Agora, com você chegando, o time está completo.
— Mas o Diretor Simões tem uma qualidade que outros chefes não têm: sempre que nos leva para sair, ele mesmo nos traz de volta. — Daniela pegou um espelho para retocar o batom, sorrindo para seu reflexo. — Quanto a você dizer que não bebe, isso é impossível. Beber é o básico nesses eventos.
Inês realmente não havia bebido na noite anterior e ainda conseguira comer os pratos de que gostava.
Ela continuou bebendo sua água com mel e terminou de comer sua sopa.
O trabalho de secretária não era difícil para Inês. Ela sempre fora boa em organizar documentos e preparar café não era segredo para ela, afinal, cuidara de Abel nos mínimos detalhes por tantos anos.
O trabalho, que não exigia muito esforço mental, permitia que sua mente vagasse, fazendo-a lembrar intermitentemente de Abel na cama com outra mulher. O enjoo persistia.
Esther olhou para ela com seus grandes olhos arregalados:
— Secretária Jardim, você não está grávida, está?
Rodrigo, que estava com a porta do escritório aberta, ouviu e levantou a cabeça lentamente para olhar.
Ele sequer havia cogitado essa possibilidade.
Inês teria se demitido por causa de uma gravidez?
No entanto, Inês balançou a cabeça:
— Não.
— Você vomitou várias vezes esta manhã, não quer ir ao hospital dar uma olhada? — Daniela franziu a testa. — Se achar ruim pedir folga ao Diretor Simões logo no começo, eu peço por você.
— Não precisa, é só que lembrei de algumas coisas nojentas. — Mal Inês terminou de falar, Daniela recebeu uma mensagem e entrou no escritório do Diretor Simões.
Quando saiu, trazia um cartão na mão.



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