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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 366

Ao voltar, contou a novidade aos pais, mas eles não se surpreenderam. Até supuseram que Abel havia comprado uma casa melhor para receber Inês de volta com mais conforto.

Pois bem.

Inês era mil vezes melhor como cunhada do que Julieta.

Ela já havia aceitado Inês.

Como não achou nada lá, só lhe restou revirar as coisas em casa. Talvez o irmão tivesse mostrado uma cópia aos pais e eles a tivessem guardado?

No fim das contas, não encontrou o laudo de Julieta, mas achou dois documentos vermelhos no fundo falso de uma gaveta.

Uma certidão de casamento e uma de divórcio.

Mariana ficou chocada. Os pais haviam se divorciado?

Ela os abriu apressadamente e viu que os nomes impressos eram os de Abel e Inês.

— Meu irmão e a Inês se divorciaram?! — exclamou Mariana, chocada.

Branca abriu a porta do escritório e, ao ver o que a filha segurava, correu para arrancar os papéis de suas mãos.

— O que você está fuçando aí?

Vendo a mãe tentar guardar as certidões de volta, Mariana insistiu:

— Quando eles se separaram? Como eu não fiquei sabendo?

— E desde quando criança precisa saber de tudo? — Branca empurrou a filha pelas costas. — Vamos, saia daqui. Não se atreva a falar sobre isso com o seu irmão, entendeu? Bico calado.

As duas saíram do escritório bem no momento em que Geraldo chegava da rua.

— A Mariana acabou de achar a certidão de divórcio — relatou Branca.

Geraldo olhou para a filha e suspirou, com uma expressão preocupada:

— Se ao menos tivéssemos feito uma certidão falsa na época...

— Quem diria que a Inês teria todo esse prestígio? — Branca serviu um copo d'água para ele, misturando arrependimento e frustração. — Pense bem: Inês fez nosso filho assinar o acordo de divórcio às escondidas e depois nos provocou para oficializarmos os papéis logo naquele momento. Será que ela estava com medo de descobrirmos a identidade dela?

— Que mulherzinha dissimulada. Se tivesse nos dado a menor pista, nunca a teríamos tratado daquele jeito...

Antes que pudesse terminar a frase, alguém digitou a senha da fechadura eletrônica.

Além deles, apenas o filho sabia a senha. Era Abel voltando para casa.

Branca engoliu as palavras no mesmo instante.

Geraldo lançou um olhar severo para a filha, avisando-a para não abrir a boca.

Abel sabia disso, mas recusava-se a aceitar.

— Só assinar o papel não significa nada! Hoje em dia existe um período de reflexão para o divórcio. Se um dos lados não concordar, a separação não sai fácil! Quando souberam que a Inês estava com o acordo, por que não me contaram?

Ele continuou, aos berros:

— O que a Inês fez para vocês a odiarem tanto, a ponto de correrem atrás da certidão de divórcio sem me avisarem?!

— Abel! — Geraldo levantou-se. Ele não tolerava que sua autoridade fosse desafiada. — Vou te dizer uma coisa: se você mesmo não tivesse menosprezado a Inês, nós também não a teríamos desprezado tão facilmente!

Mariana assentiu e murmurou:

— É verdade, irmão. Você vivia dando ordens na Inês. A gente via você mandando nela e só fomos na onda.

As palavras de Julieta voltaram a ecoar de forma ensurdecedora na mente de Abel: "Quem machucou a Inês não fui eu, o verdadeiro culpado é você".

O corpo de Abel cambaleou. Todos os seus dedos tremiam incontrolavelmente.

A culpa era dele.

Desde o início, a culpa fora toda dele.

Ele havia errado...

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