Ah, claro. Sem contar que Inês agora recebia lucros contínuos das patentes. Todo esse dinheiro não seria investido na própria família deles?
Geraldo concordou:
— A Mariana tem razão. Se você a conquistou na primeira vez, pode reconquistá-la. Se divorciaram? É só casar de novo.
Inês não tinha raízes. Todo o seu prestígio e suas conquistas acabariam servindo para enriquecer as futuras gerações da Família Rocha.
A ilusão da Família Rocha era um cenário maravilhoso, mas só Abel conhecia a dura realidade.
Só ele sabia a profundidade da ferida que havia causado em Inês.
Se ela ainda nutrisse algum ódio ou raiva dele, seria um sinal de que os sentimentos ainda existiam.
O ódio é persistente e mantém as pessoas entrelaçadas.
Mas a maneira como Inês olhava para ele era tão, tão...
Indiferente.
Uma calmaria tão fria que, ao mencionar o divórcio, seu tom não vacilou em nada, sendo ainda mais distante do que quando se conheceram.
No primeiro encontro deles, os olhos de Inês tinham pelo menos algum brilho de interesse.
Apertando as duas certidões nas mãos, Abel virou-se e saiu em completo silêncio.
A porta não se fechou, deixando a família apenas com a visão de suas costas se distanciando.
Branca soltou um suspiro pesado, olhando para o marido:
— Dessa vez, o nosso filho ficou furioso de verdade.
Geraldo franziu a testa. O que mais poderiam fazer? O que estava feito, estava feito.
Branca começou a maquinar:
— E se nós formos falar com a Inês para colocar panos quentes e elogiarmos ele?
Mariana concordou rapidamente com a cabeça.
Geraldo lançou um olhar reprovador para as duas:
— Aparecer na frente da Inês só fará com que ela reviva lembranças horríveis. Se esbarrarem com ela por aí, sejam educadas e tratem-na bem, apenas isso.
— Isso nem se discute — respondeu Branca.
Os olhos de Mariana brilharam com malícia e ela perguntou à mãe:
— Pelo estado do meu irmão, aposto que ele só quer a Inês de volta e não quer nem ouvir falar da Julieta. Mas e o bebê que está na barriga da Julieta?
Assim que Paulina e seu irmão Augusto retornaram para casa, perguntaram ao mordomo onde estava o pai.
— Na sala de visitas — respondeu o mordomo. — O Sr. Siqueira veio visitá-lo.
Paulina ficou confusa. O que havia acontecido na empresa deles para precisarem acionar o Sr. Siqueira?
Augusto também esticou o pescoço para dar uma espiada. Pouco tempo depois, o pai deles saiu acompanhado de Douglas.
Douglas acenou com a cabeça para os irmãos e foi levado até a porta pelo mordomo.
Paulina perguntou:
— Pai, por que um advogado veio aqui?
— Douglas só veio fazer uma visita de cortesia. — O Diretor Ramalho olhou para a filha. — A irmã dele também está na Cidade Alvorecer e planeja ficar por aqui durante um tempo. Você não vai se reportar ao departamento de marcas daqui a uns dois dias? Contrate a Lucinda Siqueira para ser a modelo na campanha publicitária.
Paulina entendeu na hora. O Sr. Siqueira viera mexer os pauzinhos para arrumar um trabalho para a irmã. Lucinda era bastante famosa, precisava mesmo pedir favores para conseguir trabalho? Geralmente, as pessoas é que não conseguiam uma vaga na agenda dela.
Que coisa mais esquisita.
A mente de Augusto, porém, não estava focada naquilo, e sim martelando em dois assuntos muito mais urgentes:
— Pai, o Abel e a Inês se divorciaram. E a patente do Sr. Franco já foi transferida para outra empresa.

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