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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 371

Inês Jardim olhou fundo nos olhos dele: — Eu prefiro a morte a me casar com você de novo.

Foi uma frase pesada, como uma rocha, que sufocou Abel Rocha.

— Inês, por quê...

Inês achou genuinamente cômico que ele ainda tivesse a coragem de perguntar aquilo: — Abel, o que te faz pensar que eu voltaria para um ex-marido infiel?

Com a voz embargada, Abel implorou: — Me perdoa, só desta vez. Me perdoa, eu prometo que nunca mais...

— Não existe "nunca mais". — Inês o interrompeu, sinalizando para os guarda-costas o soltarem. Ela também chamou os dois pastores alemães, que se sentaram obedientes à sua frente.

A Sra. Silveira, segurando uma espátula e com a mão na cintura, estava de pé atrás de Inês. Os guarda-costas permaneciam ao lado, acompanhando cada movimento de Abel com os olhos.

— Abel, você acha que o perdão é concedido apenas uma vez? — Inês continuou. — Cada vez que eu me lembrasse do que houve, teria que te perdoar de novo, num ciclo sem fim. Voltar para você seria um tormento contínuo, seria eu mesma me punindo para sempre.

Abel permaneceu paralisado onde estava.

Inês voltou a questionar: — E você não apenas me traiu depois do casamento. Nem mesmo suas intenções ao se casar comigo foram sinceras. Eu fui apenas uma ferramenta, um meio para provocar a Julieta Lima e fazê-la se importar com você.

— Como você é nobre, Abel. Usou a mim como degrau para o seu teatrinho de amor verdadeiro.

Os olhos de Abel se arregalaram lentamente. Quatro anos haviam se passado, como Inês poderia saber daquilo?

Seus motivos para o casamento realmente não haviam sido os mais puros, mas ele jamais teria dado aquele passo se não sentisse o mínimo de afeto por ela.

Durante o tempo que passaram juntos antes do pedido, ele já havia começado a gostar dela. Porém, o amor enraizado por Julieta era tão difícil de arrancar que ele acabou ignorando a nova semente plantada em seu coração — uma semente que, ao longo de quatro anos de casamento, havia germinado e crescido.

— Eu me esforcei ao máximo para sustentar essa relação, para manter a harmonia na casa e evitar que você ficasse numa posição difícil. E o que você estava fazendo?

— O que você estava fazendo, Abel?

Abel abriu a boca, mas sentiu um nó na garganta. Nenhuma palavra conseguiu sair.

Então, ela mesma diria.

Inês começou a listar, ponto por ponto: — Enquanto eu lavava suas roupas e cozinhava, você estava ocupado transferindo dinheiro para apoiar a carreira da Julieta. Enquanto eu corria para resolver os problemas da sua família, você estava ocupado pegando voos para comemorar o aniversário dela...

— Não diga mais nada, por favor, Inês... Eu errei. — Abel baixou o olhar, sem coragem de encarar os olhos dela.

— Já não aguenta ouvir? — Inês não tinha a menor intenção de poupá-lo. — Nós estávamos recém-casados, e você mandava mensagens apaixonadas para a Julieta. Você comprava bolsas de centenas de milhares para ela e me dava os brindes como presente. Você queria que a Julieta fosse uma mulher de negócios brilhante, mas exigia que eu largasse meu emprego para ficar em casa e ter filhos. Você comprava joias para ela e me matriculava em cursos de maternidade...

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