— Sim, Diretor Ramalho — assentiu Abel.
— Hum. — O Diretor Ramalho concordou e olhou para o filho: — Peça à governanta para preparar e trazer uma canja bem rala, com os ingredientes desmanchando.
— Certo. — Augusto pegou o celular.
— Não precisa se incomodar, Diretor Ramalho. Só o fato de ter vindo me ver já me deixa extremamente lisonjeado — disse Abel prontamente.
Abel ainda estava doente e, por mais que tentasse demonstrar que estava bem, a voz que saía de seus lábios continuava fraca.
O Diretor Ramalho não fez Augusto parar o que estava fazendo e continuou falando com Abel:
— Todo o seu esforço e as suas conquistas na Tecno Universal ao longo desses anos não passaram despercebidos por mim. Guardei tudo na memória.
Aí estava.
A cobrança.
Abel prendeu a respiração sutilmente.
— Depois que aquele incidente aconteceu da última vez, fiz o possível para encobrir a situação para você, mas a mentira tem perna curta, especialmente porque você cometeu um erro atrás do outro. — O Diretor Ramalho estava com o semblante sério e franziu a testa: — Quando fiz questão de protegê-lo, você deveria saber a quantidade de olhos que estavam vigiando você e vigiando a mim.
Como presidente de um conglomerado, cometer um erro grave na avaliação de pessoas e nas decisões resultaria na perda de autoridade.
A autoridade era a ponte que ligava as pessoas ao poder. Se essa ponte balançasse, como os subordinados se sentiriam seguros para confiar, e como o mercado poderia ter credibilidade?

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