Seu estômago, que mal havia se recuperado nos últimos dias, voltou a doer.
Abel ponderou por um instante e decidiu não repassar as palavras de Augusto para Inês.
No fundo, ele ansiava que Lucinda destruísse a relação entre Rodrigo e Inês.
Assim, Inês continuaria sendo dele.
Abel estava prestes a guardar o celular quando Maicon lhe telefonou: — Diretor Rocha, o pessoal da Sno Semiconductores gostaria de convidá-lo para um jantar amanhã à noite, mas há uma condição.
O coração de Abel deu um salto.
— Qual?
— Eles esperam que o senhor leve sua esposa junto — disse Maicon, com extrema cautela. Ele jamais imaginou que, ao retornar de sua viagem a Cidade GIO, o Diretor Rocha estaria divorciado.
Como fora o próprio Maicon quem havia levado o Diretor Rocha ao cartório para verificar o estado civil, ele ficara petrificado ao ouvir a funcionária afirmar que o chefe agora constava como divorciado.
Mesmo que a esposa realmente quisesse a separação, não haveria um período de reflexão de trinta dias?
Ele havia viajado a trabalho por poucos dias, e ao retornar, o Diretor Rocha e a esposa já haviam se divorciado, e o processo estava totalmente concluído.
Tanto é que, nos últimos dias, ele ainda andava um pouco atordoado.
Pensando bem, já havia indícios do divórcio. Primeiro, ela havia levado todas as suas coisas, deixando a casa vazia. O Diretor Rocha apenas não percebera, e Maicon também não ousara comentar que a esposa provavelmente queria a separação.
A esposa agiu em total silêncio, mas de forma devastadora.
Maicon sentia um calafrio só de pensar. Não tinha medo de barracos escandalosos; temia as partidas silenciosas, que geralmente carregavam a determinação inabalável de quem não pretendia voltar.
E justo nesse momento crítico, o Sr. Soren, parceiro da Sno Semiconductores, enviou o convite, esperando que o Diretor Rocha levasse a esposa ao evento.
A esposa agora era ex-esposa do Diretor Rocha. Como ela poderia ir?
Se ele não a levasse e os parceiros descobrissem o divórcio, o que pensariam?
Pensariam que a Tecno Universal usou Inês para garantir a parceria, agindo de má-fé primeiro. Sendo assim, eles também teriam todo o direito de romper o contrato.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim