Abaixando o olhar, ela disse:
— Não, eu não acho que você me envenenaria.
Era apenas choque.
O estupor de descobrir que o líder de uma família da mais alta elite cozinharia macarrão de arroz.
Esse prato simples jamais fizera parte do cardápio da Família Rocha. Abel não chegava a desprezá-lo, simplesmente não estava acostumado.
Mas tanto Rodrigo quanto Abel haviam nascido e crescido na Cidade Alvorecer, seus hábitos alimentares não deveriam diferir tanto assim.
— Sra. Jardim, um pouco de água morna. — A Sra. Silveira trouxe o copo.
Inês bebeu quase meio copo, limpou os cantos da boca novamente e perguntou a Rodrigo:
— Como você teve a ideia de fazer esse macarrão?
— Para você comer. — respondeu ele.
A resposta foi direta demais.
Inês ficou momentaneamente sem palavras e até sentiu uma repentina vontade de ir embora.
Rodrigo notou que a ponta do pé dela se virara discretamente na direção da porta.
Ele a havia assustado.
Rodrigo falou mais uma vez:
— Gentileza gera gentileza. Você não me fez uma coxinha do tamanho de um punho?
— Pelo visto, esqueceu o que eu te falei.
Por um instante, Inês realmente não conseguiu lembrar a qual frase ele se referia.
— Você já me disse muitas coisas, Rodrigo.
Ao lado, a Sra. Silveira murmurou baixinho:
— É a primeira vez que alguém acusa o jovem mestre de falar demais. Será que toda panela tem sua tampa?
O volume da voz fora tão baixo e, como ela estava posicionada um pouco atrás deles, os dois não escutaram.
— Tente se lembrar sozinha. — disse Rodrigo.
— Ah.
Aquele ímpeto efêmero de ir embora se dissipou gradualmente. Ela estava quebrando a cabeça para tentar associar a situação a alguma fala de Rodrigo.
Rodrigo voltou a se sentar e olhou para o prato de macarrão na frente dela:
— Vai comer mais?
Inês pegou o garfo novamente:
— Vou.



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