Depois do jantar, enquanto a Sra. Silveira recolhia a louça, Inês continuava por perto. A governanta então comentou:
— É a primeira vez que o jovem mestre cozinha para alguém. Nem o patrão, nem a Sra. Paz, e nem a senhorita provaram ainda do seu tempero.
Inês olhou para a Sra. Silveira, reconhecendo novamente aquele tom familiar.
— Talvez, Rodrigo pudesse preparar uma tigela de massa artesanal para os seus pais?
Rodrigo, que ainda não havia se afastado, virou-se, olhou para Inês e respondeu:
— Posso.
E assim foi.
Na manhã seguinte, Sra. Silveira embalou três porções da massa caseira e voltou para a Mansão Simões. Com o rosto irradiando uma empolgação inédita, ela foi até a sala de jantar, onde a Sra. Paz e Gustavo Simões já tomavam o café da manhã.
— Sra. Paz, patrão, o jovem mestre pediu para eu trazer este desjejum para vocês!
Apenas essa frase foi o suficiente para surpreender os dois por um momento. No fundo de suas mentes, tentavam imaginar que iguaria preciosa seria aquela para que o filho mandasse a própria Sra. Silveira entregar pessoalmente.
Isso até a Sra. Silveira colocar as tigelas de massa diante deles e soltar uma declaração bombástica.
— Foi o jovem mestre quem fez esta massa do zero! Desde sovar a massa, abri-la com o rolo, cortá-la em tiras da largura de um dedo, até cozinhar na água fervente e escorrer. Até a cebolinha salpicada por cima foi ele mesmo quem cortou e colocou!
Sra. Paz e Gustavo trocaram um olhar, atônitos por um bom tempo.
— Ele não sabia apenas escolher as hortaliças para mim? — questionou Gustavo. — Quando foi que aprendeu a fazer massa artesanal? Quando ele passou a gostar disso? Ele tem tanto tempo livre assim? O fim do ano está chegando, eu o vejo bastante ocupado na empresa, de onde ele tirou tempo para isso?
Diante da série de dúvidas de Gustavo, Sra. Silveira abriu um sorriso largo:
— É claro que o jovem mestre arranjou um tempinho na sua agenda lotada.
— Ele provavelmente não aprendeu isso por nossa causa. — pontuou Sra. Paz.
— Embora não tenha aprendido para o patrão e para a Sra. Paz, foi a Sra. Jardim quem pediu ao jovem mestre que preparasse e mandasse para vocês. — explicou Sra. Silveira.
O casal compreendeu tudo num instante.
— Então, na verdade, isso foi feito para a minha nora. — concluiu Sra. Paz.
— Escolher bem a esposa é como mudar o próprio destino. — afirmou Gustavo.
Disso, ele tinha muita experiência.
Até o filho deles agora sabia preparar o café da manhã para os velhos pais.
Gustavo sentiu os olhos arderem levemente enquanto comia, e disse à esposa:
— Está delicioso.



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