Covarde como sempre, que só crescia para cima dos mais fracos, Mariana tratou de se esconder rapidamente atrás do irmão e de Alex.
Temendo que a ala do hospital virasse palco de mais um barraco, sem um segundo de paz, Alex apelou ao bom senso:
— Sr. Siqueira, por favor, vá embora. Se quer mesmo ajudar a Julieta, deveria estar pensando em como defendê-la no tribunal na semana que vem, para que ela tenha que devolver o mínimo de dinheiro possível.
— Processo para devolver dinheiro? — indagou Douglas.
— Exatamente. Certas coisas sempre precisam ser devolvidas. Ninguém foge à regra, nem mesmo o Abel. — confirmou Alex.
Douglas estava pronto para questionar a masculinidade de Abel — afinal, que tipo de homem processa uma mulher para exigir de volta o dinheiro que gastou com ela? No entanto, a última frase de Alex o fez perceber, de súbito, que havia algo errado naquela história.
Agora ele compreendia exatamente do que se tratava o processo.
E sabia perfeitamente quem era a autora da ação.
Após finalmente despachar Douglas, Alex virou-se para Mariana:
— Dê um copo de água ao seu irmão, ele precisa tomar os remédios.
Mariana obedeceu em silêncio e foi buscar a água.
Ela sabia que se não agradasse aos pais e ao irmão, acabaria sendo enxotada de casa para trabalhar o resto da vida.
Exausto, Abel sentou-se e disse a Alex:
— Vou precisar da sua ajuda nesses próximos dias. Não consigo me ausentar do hospital.
Alex assentiu compreensivamente e perguntou com seriedade:
— Você vai mesmo vender todos os carros e casas? Abel, eu ainda tenho um pouco de dinheiro comigo...
— Não se preocupe. — Abel recusou educadamente a oferta do amigo. — Vender os carros e as casas será o suficiente para cobrir os custos da cirurgia e do tratamento da minha mãe.
— Mas onde você vai morar?
— Eu não aluguei uma casa na Mansão Serra Sul? Vou morar lá.
A expressão de Alex tornou-se indescritível. Morar de aluguel jamais se compararia ao conforto da casa própria.
— Irmão, você vai vender as casas? Quais? A sua? A dos nossos pais? Ou a minha?! — O pânico tomou conta de Mariana, apavorada com a ideia de perder o seu dote mais valioso.
Abel encarou a irmã com firmeza:
— Todas.



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